De SJP à Patagônia – Ushuaia, 3.480 km de pedaladas

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O ciclista Gustavo Remor chegou ao extremo Sul do continente após 40 dias, onde percorreu estradas que variavam em altitude de 200m a 1.500m

Um dos trechos mais conhecidos entre os motociclistas aventureiros é o caminho de Mendoza a Ushuaia, que atravessa a Patagônia e liga o norte da Argentina, não somente ao extremo Sul do país, mas ao fim do continente sul americano. Os motociclistas relatam inúmeras dificuldades, mas para o estudante de São José dos Pinhais, Gustavo Remor, que percorreu 3.480 km de bicicleta, segundo ele, a viagem foi tranqüila.

De Porto Alegre, Gustavo e dois amigos foram até Mendoza, Argentina. No dia 23 de dezembro eles começaram a aventura. Quatro dias depois chegaram à capital do Chile, em Santiago. “Fazíamos média de 120 km por dia, o que era um bom ritmo. Depois do Chile fomos para Pucon, a cerca de 800km de Santiago e entramos na Argentina novamente, passando por Bariloche. Voltamos ao Chile, em Futaleufu, e na Vila Santa Lucia, começou a Carretera Austral, e com ela o nosso pesadelo”, conta Gustavo.

A Carretera é uma rodovia localizada no sul do Chile, sendo a principal via de transporte terrestre da região de Aisén e da Província de Palena na Região de Los Lagos, e onde predominam os Andes Patagônicos. A estrada possui 1.200 km e pouquíssimos trechos de asfalto.

Os amigos de Gustavo encerraram o “passeio” de 1.900 km, e ele seguiu sozinho na Cerretera. Era 07 de janeiro. “Pedalar molhado, com fome, o vento contra, chuva e só subindo não e fácil. A previsão do tempo era a pior possível.”

“O desafio não é a condição da estrada, mas sair de uma altitude de 200m do nível do mar, subir até 1.500m, e descer até cerca de 330m. Na Carretera, tem que sair o mais cedo possível, pois quando o sol baixa é muito frio. Apesar das dificuldades consegui boas médias de 120 km por dia”, explica o ciclista.

“Na Carretera, se você não retirar dinheiro do caixa eletrônico, só depois de 400 km para fazer isso novamente. Eu carregava o mínimo de bagagem, 25 kg, então não podia levar muita comida. Ao final da viagem, cheguei a comer por alguns dias somente 40 pães com margarina”, diz Gustavo Remor.

Após o fim da Carretera, Gustavo passou por El Calafate, na divisa do Chile com a Argentina. “Foi a parte mais fácil, pois com os fortes ventos parecia que eu estava de moto. Fiz 330 km em apenas um dia e meio”, brinca o estudante, que logo sentiu a mudança. “Em seguida a estrada tem outra direção e todo o vento a favor se tornou contra. Era um grande esforço para pedalar a apenas oito km/h.”

O ciclista continuou por Rio Gallegos, já na Argentina, depois San Sebastian, Rio Grande até Tolhuin, e no dia 3 de fevereiro, após 40 dias de pedaladas completou 3.480 km e apertou o freio de sua bicicleta em Ushuaia, o fim do mundo.

Na última quarta-feira (10), diversos amigos e familiares foram à noite até a empresa de seus pais, o restaurante e pizzaria Vinigutti, para dar os parabéns pela realização da aventura.

“Agradeço à minha família pelo apoio nesta viagem, e também aos meus novos projetos”, anuncia Gustavo Remor, que pensa em um dia pedalar do extremo norte do Brasil até o Alaska, passando por México, costa oeste dos Estados Unidos e Canadá.


De bicicleta?
Em 2008, o jornalista Ricardo Rossi, curitibano de estudo e trabalho, percorreu com três amigos 13 mil km. O primeiro trecho da expedição foi praticamente o mesmo de Gustavo Remor. “De bicicleta? Corajoso o Gustavo. Na viagem nós encontramos vários ciclistas nas estradas argentinas e chilenas, mas na Carretera Austral vimos pouquíssimas bicicletas. O Gustavo está de parabéns, pois os moradores daquela região passam com camionetes a mais de 140 km/h”, comenta Ricardo Rossi.

A trip denominada Los Três – Rumo ao Fim do Mundo, pode ser conferida no site http://www.lostres.com.br. A viagem começou em 27 de janeiro e terminou em 23 de fevereiro. A primeira parte, de Mendoza a Ushuaia, foi feita durante 13 dias com um carro modelo Parati.

[PautaSJP.com]

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