Fotógrafo Pedro Martinelli expõe imagens com venda direta aos apreciadores de sua obra

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O fotógrafo paulista Pedro Martinelli participou na última sexta (20) da inauguração da exposição A Amazônia de Pedro Martinelli, na Galeria Portfolio, escola de fotografia de Curitiba. Não é a primeira vez que o renomado fotógrafo expõe em Curitiba. O diferencial é que a mostra dispõe aos fãs de arte a possibilidade de adquirir 10 imagens diretamente do autor, que abre uma nova fase em sua carreira, apoiada pela internet.

Foto jornalista de formação, Pedro Martinelli passou pelos principais veículos de comunicação do país. De 1983 a 1994, foi editor de revistas do grupo Abril. Após este período, saiu e busca de material para editar seus livros. Pedro retornou à Amazônia, e se dedicou não apenas aos índios, mas aos caboclos que, segundo ele, carecem da mesma atenção dos órgãos ambientais.

Durante o lançamento da exposição, que contou com a participação do fotógrafo curitibano Nilo Biazzetto Neto, proprietário da galeria, Pedro Martinelli falou ao PautaSJP.com sobre as novidades de divulgação das suas imagens, por meio de blog e a disposição no espaço para compra de suas fotos, de R$ 500 a R$ 1.500,00. O fotógrafo, que começou a trabalhar com câmeras digitais há poucos anos, critica a falta de qualidade do mercado. Ele reside em Carapicuíba, perto de São Paulo, capital.

PautaSJP.com – Primeira vez expondo em uma galeria particular de fotografia de Curitiba?
Pedro Martinelli – É a primeira vez. Já participei de bienal em Curitiba e de vários outros encontros de fotografia. Esta exposição foi elaborada especialmente para a galeria da Escola Portfolio de Fotografia. São todas em processo de película, de 1994 até os dias de hoje, quando comecei a editar meus livros e com equipamento Laika.

PautaSJP.com – Após certa resistência o que lhe levou a começar a clicar com digital?
PM – Não tem mais filme e o cliente não quer mais filme. Mas acho que a fotografia convencional não vai acabar, pois como artes plásticas é um processo químico e cultural muito importante.

PautaSJP.com – Com o processo em película existiam poucas pessoas entre o autor e o resultado final. Com o sistema digital há vários responsáveis pela autoria até o produto ser divulgado, você possui uma equipe?
PM – Eu estou fazendo foto com câmeras digitais, mas sem finalização, tratamentos ou técnicas de pós-produção. No máximo passo a imagem para o computador e encaminho para o cliente. Hoje, realmente tem diversas pessoas no meio do caminho, pois a partir do acesso digital existem diversas formas de interpretação. Antigamente tínhamos discussões sobre o banho nas bandejas, a temperatura, e hoje é a discussão quanto ao pixel, uma forma mais fria de se relacionar com a imagem.

PautaSJP.com – Como avalia o resultado deste trabalho com diversas mãos?
PM – O resultado final fica a cargo de cada um. Se o paginador acha que a imagem deve ser mais vermelha, ela vai ser mais vermelha. Eu até considero que a foto publicitária talvez não precise mais ser fotografia, pois não tem mais cara de fotografia, daqui a pouco não terá mais câmera. Se olharmos um caderno de produtos de um supermercado, não se consegue mais entender a incidência de luz.

PautaSJP.com – Durante muitos anos você editou diferentes revistas no grupo Abril. Se colocarmos estas mesmas revistas, uma ao lado da outra, de que forma você avalia as imagens hoje?
PM – A qualidade caiu. Mudou também a pressão sobre os fotógrafos. Antigamente existia uma programação que não tinha tanta liberdade. Não questiono o benefício da velocidade de propagação das imagens por meio da digitalização, mas a qualidade. O fotógrafo não sabe o que é uma foto boa e o editor não sabe o que é uma foto boa. O futebol, por exemplo, na última Copa do Mundo, eram raras as imagens boas. Nos anos 70, um jornal com Fla-Flu de segunda-feira, no Maracanã, sendo no O Globo, Jornal do Brasil ou Estadão, era incrível. É só pegar estas edições e ter a referência da época.

PautaSJP.com – Após uma longa carreira de sucesso as suas imagens podem ser adquiridas diretamente com você pelo blog e pela galeria, isso marca a sua entrada no mercado de divulgação e produção digital?
PM – Uma experiência interessante, pois é a primeira vez que minhas fotos são vendidas em uma galeria, por meio da chamada fine art (arte final). O valor fica mais acessível, pois não tem intermediário. Os preços são os mesmos por meio do blog, que comecei há cerca de três meses. Antes, a divulgação era via os catálogos e livros.

PautaSJP.com – Há muitos anos você chama a atenção para a degradação da cultura dos caboclos da Amazônia, um dos temas desta exposição. A falta de interesse por estas culturas continua?
PM – Você acha que os caboclos podem ser mais apoiados depois das minhas fotos? Que nada, tudo na mesma.

PautaSJP.com – No Paraná, quais fotógrafos também documentaristas que você gosta?
PM – Existem ótimos documentaristas, como João Urban e o Sérgio Sade, que já documentaram o Estado muito bem e continuam a desempenhar um belo trabalho.

Informações www.escolaportfolio.com.br e www.pedromartinelli.com.br/blog.

[PautaSJP.com]

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