Desenhista de SJP é destaque no mercado internacional

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18/07/2011 | Helena Carnieri - Gazeta do Povo

A Gibicon acabou, mas nem por isso Curitiba vai esquecer os quadrinhos. Além do “fervo” costumeiro de consumidores nas dependências da loja Itiban (Av. Silva Jardim, 845), apaixonados por essa arte continuam enfurnados sobre suas pranchetas, produzindo para grandes editoras do mundo. A Gazeta do Povo conversou com um deles: Carlos Magno, 34 anos, que se esconde em seu escritório em São José dos Pinhais e de lá abastece o hobby de leitura de adolescentes e adultos norte-americanos. Um trabalho frenético que, somado a seu filho de um ano e meio, não o deixa sentar para ler quadrinhos há três anos.

Desde 2005, Carlos ganha espaço no mercado dos EUA, desenhando para estúdios gigantes como Marvel (de Hulk e Homem Aranha, entre outros) e DC Comics (de Batman). Juntas, as duas dominam a maior parte do mercado de quadrinhos americano.

No momento, Carlos produz diariamente a revista Planet of the Apes (Planeta dos Macacos), para a Boom!, ainda sem versão em português. Não há alguém com mais de 30 anos que não conheça de cor a história, passada no século 27, quando os primatas tomaram conta da Terra e escravizam seres humanos. “Esse é um projeto muito pessoal. Quando era criança, dizia que estava doente para ficar em casa assistindo”, conta.

Nos quadrinhos, a história se baseia no filme de mesmo nome, de 1968, em que os primatas são mais rudimentares do que no livro original (1963, de Pierre Boulle). As revistas, que passaram a ser publicadas em abril nos EUA, introduzem novidades à epopeia. A quinta edição, que Carlos termina de desenhar nesta semana, fala de como surgiu a inimizade entre macacos e humanos.

Como acontece com outras histórias consagradas, as inovações precisam ser autorizadas pela detentora da marca. No caso de Planeta dos Macacos, a dona é a holding de comunicação Fox. “Cada página que desenho passa pelo crivo deles”, explica Carlos. “Então entra para a história oficial.”


Técnica
No dia a dia de Carlos na prancheta, o roteiro das histórias chega em inglês por e-mail e determina a sequência de diálogos que entrará em cada página, incluindo o número de quadros. Cabe a ele buscar referências para decidir como desenhar tudo aquilo. “Na página que estou fazendo agora, pediam uma ‘gatling gun’, que é uma metralhadora giratória. Não posso inventar outro tipo de arma”, exemplifica.

Primeiro, ele faz um esboço para aprovação, e então desenha os traços finais, com liberdade para mudar detalhes como um ou outro ângulo. “Na Marvel, a política era mais rígida, com menos liberdade.” Cada página leva cerca de 15 horas para ficar pronta. O desenho é então escaneado e enviado por e-mail, e o colorido é dado por outro profissional, já nos EUA.


Como começou
A história de Carlos é uma daquelas de obstinação. Criança, ele respondia à clássica pergunta sobre “o que queria ser” com “desenhista de quadrinhos”. E manteve a decisão, optando por estudar artes plásticas na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Ele fazia ilustrações para agências de publicidade quando soube que um agente de artistas brasileiros estaria em São Paulo. Correu para lá e logo teve a primeira oportunidade, desenhando o personagem Jonah Hex para a DC Comics. Na sequência, veio a Marvel, para quem ele desenhou o Incrível Hulk por um mês. Em 2010, visitou a feira de quadrinhos de Nova York e conversou com os editores da Boom!. Logo tinham um contrato para Planeta dos Macacos, que vai até fevereiro de 2012.

Em tempo: os fãs de Planeta dos Macacos se decepcionaram com o remake de Tim Burton, em 2001 – tanto que a orientação recebida por Carlos é a de desconsiderar essa versão na hora de desenhar. Agora, a Fox tenta retomar a história no cinema em agosto, quando estreia Planeta dos Macacos: A Origem, de Rupert Wyatt, cuja trama conta como os primatas se tornaram inteligentes.

Serviço
As revistas Planet of the Apes podem ser encomendadas pelo site www.boom-studios.com.

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