SJP é a primeira cidade da região a receber mão de obra de haitianos

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Nila Regina Bonin é proprietária de uma pousada no Rio de Una, área rural de São José dos Pinhais, e chegou de Porto Velho na última segunda-feira (06), acompanhada de 14 haitianos, de 19 a 33 anos, incluindo uma mulher. Eles são cadastrados pelo governo federal como refugiados sociais do terremoto que devastou o Haiti em 12 de janeiro de 2010. Nila Bonin se emocionou quando assistiu uma reportagem de televisão no dia 5 de janeiro. A pauta tinha como tema a possibilidade de diferentes cidades darem oportunidade de trabalho aos estrangeiros do país mais pobre da América Central.

A empresária ficou comovida com o fato dos haitianos darem declarações que precisam trabalhar e mandar dinheiro aos parentes no Haiti, pois, dois anos após o desastre, muito pouco foi reconstruído e as oportunidades de trabalho são pequenas.

“Conversei com outros empresários e decidi ir até a região Norte do País. Primeiramente, liguei para a Prefeitura de Rio Branco no Estado do Acre, e me informaram que seria mais fácil conhecer os haitianos, uma exigência do governo federal, via a Prefeitura de Porto Velho, em Rondônia, pela proximidade geográfica. O processo foi rápido e todos os haitianos que vieram comigo estão com suas carteiras de trabalho”, conta Nila Regina, que chegou a Porto Velho sexta-feira (03), e segunda-feira (06), em São José dos Pinhais, preparou um jantar de recepção e hospedou os 14 haitianos na sua pousada.

O líder do grupo é Pierre Antoine Vivil, que trabalhava como servente de pedreiro na cidade de Gonaives, região norte do Haiti, a quarta maior daquele país. “No terremoto perdi a mãe de meu filho. Depois tive mais um filho com outra mulher, e ele está com sete meses. As duas crianças e a minha esposa estão no Haiti e eu quero enviar uma boa parte do que ganhar para eles”, projeta Pierre Vivil.

Pierre é o único do grupo que aprendeu um pouco de português, e que, ao contrário de muitos colegas, veio do Haiti de avião há poucas semanas, passando pelo Panamá, Equador e Peru até o Brasil, onde também passou pelos estados do Acre e depois Rondônia. “O que eu mais gostei nos brasileiros foi a forma agradável com que nos recebem e o jeito alegre”, aponta Pierre Antoine Vivil.

A tradução das conversas com os empresários que vão empregá-los é feita pela filha de Nila, Ana Paula Bonin. “A maioria fala um dialeto francês e um pouco de inglês. Praticamente todos comentam o interesse em trabalhar e encaminhar dinheiro para os parentes e que valeu a pena virem para o Brasil. Como no Haiti não há trabalho em nenhum lugar, eles querem trazer suas famílias para cá, pois grande parte das cidades ainda estaria em ruínas. Os haitianos não se conheciam antes de chegarem ao Acre e Rondônia e notamos uma união forte entre eles”, comenta Ana Bonin.

O empresário Paulo Roberto Kappaun, dono de uma empresa de panificação e padaria na BR 376, e outra padaria no centro, pensa em empregar três colaboradores. “Acredito que vai dar certo com os haitianos, pois há falta de mão de obra e eles querem trabalhar. Tenho experiência com alguns dos chamados ‘empregados diferenciados’, como os dependentes químicos. Alguns trabalham direito e crescem profissionalmente, outros perdem o interesse e vão embora, o que também acontece com quem não tem problema social”, diz Paulo Kappaun.

A proposta dos empregadores é de um salário fixo de R$ 700,00, pouco mais que o salário mínimo de R$ 622,00, e livre de custos com alimentação e moradia.

PautaSJP.com

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