Prefeitura de SJP identifica três quadrilhas no bairro Del Rey

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No dia 09 de janeiro, o PautaSJP.com revelou várias irregularidades nas invasões em terras da Prefeitura e reservas ambientais no bairro Del Rey, localizado a apenas 8 km do centro de São José dos Pinhais. Utilização indevida de uso capião, venda de lotes em áreas nativas, corte de árvores e roubo da madeira são alguns dos problemas que assustam os novos moradores que compram regularmente suas casas com recursos próprios e linhas de financiamento. Nas últimas semanas, a Prefeitura tem realizado várias ações que identificaram três quadrilhas na região. Os trabalhos coordenados pela Secretaria de Habitação foram acelerados após publicação das reportagens investigativas do PautaSJP.com, quando repórter do site se passou por comprador.

Segundo a Comissão Municipal de Combate à Invasão, após aprovação pela Câmara e publicação da normatização para uso e ocupação do loteamento Núcleo Residencial Del Rey, por meio do Projeto Lei nº 431, de 18/11/2011, da Prefeitura de São José dos Pinhais, tiveram início as operações de levantamento de informações que apontam várias pessoas que vendem lotes em área pública, que variam de R$ 20.000,00 a 40.000,00 e, se fossem terrenos regulares, teriam um valor de mercado de no mínimo o dobro do que foi comercializado.

A ação da Prefeitura, com base em mandado e por meio da Secretaria de Obras, já derrubou algumas casas que foram levantadas em locais irregulares. Também compõem o grupo as pastas de Habitação, Urbanismo, Segurança (Defesa Civil e Guarda Municipal), Meio Ambiente, Assistência Social e Procuradoria Geral.

“Ao final de 2011, tínhamos conhecimento das irregularidades e desde o começo do ano estamos recolhendo provas que serão encaminhadas para a Justiça incluindo o nome de várias pessoas. Agiam no bairro, e à luz do dia, três quadrilhas, que cortavam árvores e roubavam a madeira em área nativa; que coordenavam invasões em áreas de preservação, da Prefeitura e de particulares para venderem lotes usando contratos em cartórios; e que vinham com tratores para retirar a terra destas mesmas áreas e vendiam para as construtoras”, indica Carlos Santos, representante da comissão contra invasões da Prefeitura.

Marcio Pereira, que atua na Defesa Civil, por meio da Guarda Municipal, lembra que durante 15 dias eles percorreram o bairro à paisana como interessados em adquirir terrenos. “Existem alguns nomes nos contratos que se repetem várias vezes, em negócios de lotes que custam entre 20 e 25 mil reais”, comenta Marcio Pereira.

Ainda segundo a Prefeitura, uma esquina inteira, em cima de reserva ambiental, foi comercializada pelo que seria um falso corretor. O nome de Josias de Melo surge em vários contratos de moradores que compraram pequenos lotes e se utilizam de gatos em postes da Copel para terem luz.

“O Josias nos disse que a área estava com impostos atrasados e com a venda dos lotes ele iria regularizar. Eu paguei 15 mil”, revela Ronaldo dos Santos Santana. Sobre o uso de gatos na luz, de acordo com Ronaldo, o Josias falou para eles irem usando e um dia, com a regularização, seriam instaladas as caixas de energia.

A família de Ronaldo Santana já recebeu a notificação de que terá que desocupar o local. “Com os fiscais da Secretaria de Urbanismo estamos notificando os moradores. Quem está construindo em área de invasão terá a residência demolida. Quem mora nestes lugares terá que sair com base em processo judicial”, explica Carlos Santos.


“Não sou grileira de terra”
No lote apontado pela Prefeitura como localizado em cima de uma reserva ambiental mora a estudante de Direito, Elisandra Turesso. Ela é indicada no relatório da comissão contra invasões como uma das pessoas que vende áreas irregulares.

“A Prefeitura está me perseguindo. Onde eu comprei para morar é de um senhor de idade chamado Eurotides, e a Prefeitura foi até o terreno dele e derrubou a casa onde ele morava há muitos anos”, critica Elisandra.

Ela reconhece que utiliza gato na energia da Copel e fala que o Del Rey inteiro é irregular. “Tô utilizando gato sim porque a Prefeitura não deixa eu regularizar onde moro. É direito meu vender e as pessoas comprarem.”

A reportagem acompanhou Elisandra Turesso até uma área que ela comprou por R$ 38 mil e onde quer vender 20 lotes. “Quero ver a Prefeitura provar que estes terrenos são área pública. Não sou grileira de terra, sou investidora”, conclui Elisandra.

Amanhã (08), confira mais informações sobre as ações de combate às invasões. Fiscais do Urbanismo reclamam de falta de equipe.

PautaSJP.com

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