SJP não tem lei de incentivo de preservação do patrimônio privado

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Quando o prefeito Ivan Rodrigues decidiu pela derrubada do antigo casarão de 1890 que era sede da Prefeitura, em maio de 2011, começaram as discussões sobre a preservação de prédios públicos. A polêmica acelerou o tombamento de monumentos como a Caixa de Água na Praça Getúlio Vargas. Quanto à preservação e incentivos para a manutenção de propriedades privadas, a discussão é recente e não deve evitar que locais importantes deixem de existir, como ocorreu com vários casarões da Rua XV e o antigo Hospital Pinheiros, prédio que foi derrubado para dar lugar a um shopping.

O município, mesmo com as reformas nas ruas, nunca teve uma política de preservação das propriedades privadas. Um exemplo que ainda está de pé é a Casa dos Guarnieri, residência de arquitetura polonesa, em madeira, localizada na Rua Isabel A. Redentora.

O proprietário, Olimpio Guarnieri, revela que desistiu de tentar preservar a antiga moradia da família. “Há muitos anos que converso com a Prefeitura e outros órgãos e não tem mais jeito, aquela casa já está indo ao chão”, diz Olimpio Guarnieri.

Na opinião do arquiteto Tobias Bonk, responsável pela reforma da Catedral de São José dos Pinhais, as leis de Curitiba podem ser base para a futura legislação são-joseense. “O Poder Público daria benefícios construtivos, reduzindo taxa de IPTU e isenção do imposto de ISS que incide nas reformas. Cabe ao Poder Público também a representação do que é considerado importante historicamente, para a captação de recursos diante de instituições federais e privadas que trabalham com preservação”, considera Tobias Bonk.

O especialista em restauro cita a desapropriação e a relocação como demais possibilidades. “Na desapropriação a Prefeitura toma posse para preservar. A casa dos Guarnieri poderia ser desmontada e transferida, o que liberaria o terreno para a família comercializá-lo.”

Ainda segundo o arquiteto, o que sobrou dos casarões da XV pode ser preservado. “A escala baixa de um a dois pavimentos também é importante. As fachadas comerciais devem manter aspectos da memória da sociedade são-joseense. São questões que estão sendo discutidas pelos atuais integrantes do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac)”, avalia Tobias Bonk.

O secretário municipal de Cultura, Christian Bundt, não desconsidera desapropriações ou relocações de locais privados, mas enfatiza que a prioridade é a legislação de preservação do patrimônio público. “No caso da Casa Guarnieri não é apenas um a simples relocação, pois ela teria que ser totalmente reformada. A aplicação de recursos por meio da Prefeitura neste sentido tem que fazer parte de uma nova legislação, que começou a ser pensada”, fala Christian Bundt.

Amanhã (24), o PautaSJP.com publica a segunda reportagem sobre o tema com entrevista de Eduardo José Jankosz. A família de Eduardo adquiriu, em 1956, o casarão da Rua Visconde do Rio Branco que era do empresário madeireiro Fortunato Moss.

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