Como alvenaria, casa da família Jankosz é a mais famosa de SJP

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Uma propriedade antiga, que é considerada uma das mais belas do município, é a chamada “Casa de Sofia”, localizada na Rua Visconde do Rio Branco, centro de São José dos Pinhais, que leva o apelido carinhoso pela população de Casa Rá Tim Bum, referência ao castelo da série da TV Cultura. A propriedade foi comprada em 1956 do empresário madeireiro Fortunato Moss, por José Ginalski, avô do engenheiro florestal Eduardo José Jankosz. Trata-se de uma residência muito charmosa que, segundo o presidente da Câmara Municipal, Assis Pereira, faz parte das propriedades privadas que podem futuramente compor um projeto de incentivo à preservação.

Eduardo Jankosz, que passou toda a infância e adolescência no local, diz que o carinho da família pela casa foi o que impediu a comercialização frente a propostas tentadoras. “A minha mãe, Zofja Ginalski Jankosz, que ainda mora lá, não quer nem pensar em vender a propriedade, independentemente do valor de oferta”, comenta Eduardo.

Sendo uma casa da década de 50, de acordo com Eduardo Jankosz, não é fácil manter as características da época. “Algumas pessoas de fora apontam que não cuidamos da casa, que o telhado está com problemas, o que é verdade, mas estamos arrumando. É fácil criticar, porém, não aparece ninguém para ajudar. Tivemos que colocar grade por causa de tantas pessoas que entravam para fazer de tudo no jardim. O ponto de ônibus na frente agora aumentou a sujeira e é difícil até chegar com o carro”, reclama o engenheiro.

“Eu fico chateado, pois muitos venderam suas propriedades, que foram derrubadas e viraram pontos comerciais, e se mudaram para bairros como o Aristocrata, Pedro Moro, e outros locais mais residenciais, já que o centro virou comércio. Poucas famílias ainda vivem no centro tradicional. Tivemos sempre o cuidado de manter as formas originais da casa, incluindo a cor da pintura”, detalha Eduardo.

Sobre uma possibilidade de incentivo para a manutenção do casarão da família, Eduardo Jankosz fala que estão abertos a conversas. “Se for uma troca a fundo perdido podemos aceitar, mas tombamento de patrimônio particular é algo inaceitável, pois deve-se pensar o quanto que já foi investido em todas estas década. Ninguém vai investir em uma casa tombada, a não ser pessoas que desejassem fazer algo com relação a museus, ou mesmo somente para morar e mostrar status.”

“A isenção de impostos como IPTU nas reformas é interessante. A arrecadação do futuro cartão de estacionamento (ESTAR) poderia gerar um fundo para a preservação das propriedades localizadas nas ruas onde as taxas serão cobradas”, sugere Jankosz, que acrescenta sobre uma possível contrapartida, pelo transtorno dos pontos de ônibus, que poderia ser investida na manutenção da residência.


Lembranças da Rua XV
Eduardo Jankosz recorda de propriedades que eram referência do centro da cidade. “As fachadas viraram painéis de lojas. O Pedro Bino, já falecido, em sua antiga loja, sempre manteve a fachada. Haviam panificadoras, bares e muitas casas bonitas na Rua XV”, lembra Eduardo Jankosz.


Referência arquitetônica
Na opinião do arquiteto de São José dos Pinhais, Tobias Bonk, o aspecto paisagístico da casa da família Jankosz é uma referência da época em que as residências tinham as áreas de convivência como destaque. “A maneira como as calçadas e o jardim estão integrados ao pátio é muito interessante”, avalia Tobias Bonk.


Legislação de referência
“Vamos buscar referências na legislação de outras cidades para saber o que é possível quanto ao incentivo para a conservação do patrimônio privado. A Casa dos Guarnieri, na Isabel Redentora, e muitos casarões da Rua XV, são exemplos de que as iniciativas anteriores não surtiram resultado para preservação do pouco que ainda está de pé”, projeta o presidente da Câmara, vereador Assis Pereira.

PautaSJP.com

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