São-joseenses conhecem escola sem muros de Arapoti


Colégio Colônia Holandesa tem mais de 300 alunos de indisciplina zero que estudam com base na Pedagogia do Reino dos Países Baixos

Blog Single Na Educação Infantil, salas e disposição dos materiais pedagógicos no Colégio Colônia Holandesa lembram as escolas da Holanda [Fotos PautaSJP.com]
[Atualizado 31/08/2012]

O diretor do Colégio Colônia Holandesa, Paulo Alvarez dos Santos, completará 40 anos de carreira voltada ao Ensino. Formado em Educação Física e tendo sido diretor de escolas por diferentes cidades, Paulo chega a quatro décadas atuando na direção do que é considerado um colégio ideal, onde a indisciplina, segundo Paulo, é praticamente zero. A escola em que estudam mais de trezentos alunos não possui muros e portões. O interesse em frequentar o colégio está acima da obrigação de estudar. Este é um dos fatores que encantou as são-joseenses e psicomotricistas relacionais Daniele Précoma Moro e Luci Ane Moro, quando elas estiveram na última sexta-feira (24), em Arapoti, norte do Estado, para uma palestra a convite do Colégio Colônia Holandesa intitulada “Como seu filho aceita limites”.

“Ficamos encantadas com uma estrutura de Ensino que traz muito do que os programas pedagógicos de unidades particulares e públicas buscam atualmente, sendo uma hierarquia muito bem distribuída dos papéis de diretores, professores e pais na aprendizagem e educação dos estudantes. Entre o colégio e as casas não há limites arquitetônicos, como portões e muros, mas é possível notar que o prazer dos alunos em estudar em um local amplo, com atividades bem definidas, faz com que eles não queiram buscar outros interesses nas ruas”, observa Daniele Moro.

De acordo com o diretor Paulo dos Santos, a comunidade que ocupa o bairro dentro da cidade de Arapoti é formada por mais de 400 moradores que residem nas casas vizinhas ao colégio e fazendas próximas. A agricultura é a principal atividade econômica da região e não é raro ver os estudantes com uniforme em um período e no outro em cima de tratores ajudando na colheita de soja, trigo, milho ou aveia.

“São descendentes de colonos que vieram da Holanda na década de 60 e as famílias sustentam até hoje o colégio de Educação Infantil ao Ensino Médio, com investimentos regulares na infraestrutura e capacitação dos professores. Além dos mais de 300 alunos, sempre estão no local os pais que frequentam o colégio e contribuem como instrutores de inglês e holandês”, conta Paulo Alvarez.

Para Luci Ane Moro, a proposta é muito interessante na medida em que as crianças participam das atividades programadas e possuem a possibilidade de buscarem interesses individuais. “Acredito também que a sensação de espaço e conforto proporcione uma relação de bem estar que motiva os alunos a aprenderem porque estão interessados em buscar o conhecimento apresentado pelos professores” avalia Luci Moro.

O pastor Elton Luithardtt destaca a manutenção dos ideais da comunidade. “Os princípios da Igreja Evangélica Reformada de Arapoti continuam baseados na fé e Educação”, enfatiza Elton Luithardtt.


Terceira geração de descendentes holandeses
Marinus e Patrícia Hagen são agricultores da região e assistiram a palestra sobre limites. “Sempre que são programados estes encontros fazemos questão de participar, pois temos um filho de 16 anos saindo da adolescência e uma menina de onze anos entrando nesta fase”, conta o casal.

Marleen Kok é filha de holandeses, ex-aluna do Colégio Colônia Holandesa e hoje atua como professora de Educação Física. “Acredito que a comunidade esteja na terceira geração e outras devem continuar a viver aqui, como as minhas duas filhas”, comenta Marleen, que conhece na prática a ideia de uma escola sem muros, “dou aulas para alunos de três a onze anos e eles se mostram interessados e seguros de estudarem neste colégio”, fala Marleen Kok.

PautaSJP.com



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