O Restaurante Boneca do Iguaçu está no museu de SJP

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O Museu Atílio Rocco completa, hoje (19), 35 anos de fundação. A história de formação cultural, política e sócio econômica do acervo ganha um novo capítulo com as informações da localidade que foi a mais agitada de São José dos Pinhais, em uma mistura que é sempre receita de sucesso: boas refeições e música de qualidade. A trajetória do bar e restaurante Boneca do Iguaçu, que funcionou de 1951 a 1964, possui uma herdeira, a empresária Marli Feeken, cujo pai, Harry Feeken, dá nome a uma grande rua que circunda a região.

Localizado no entroncamento da Rua Joaquim Nabuco com a Avenida das Torres, um pouco antes do portal de São José dos Pinhais sentido Curitiba, o Boneca do Iguaçu é a principal referência de uma São José que fazia parte da recente industrialização do País, onde os empregos não eram apenas em chácaras, fazendas e serrarias. Era o tempo de auge, por exemplo, da Indústria Senegaglia, que deu origem à Metal Gráfica Trivisan.

Às margens do Rio Ressaca, que na época tinha muitos peixes, e vizinho ao antigo Frigorífico Argus, o local era frequentado pela sociedade são-joseense e muitos curitibanos e políticos influentes como Moysés Lupion, Aníbal Khury, Aírton “Lolô” Cornelsen e Iberê de Mattos.

Aliás, a proximidade com o abatedouro foi um dos grandes sucessos do bar e restaurante. “Minha mãe, Eva Feeken, casada com meu pai, Harry Feeken, era a cozinheira de mão cheia. Nos almoços e jantares haviam os petiscos que saíam sempre muito frescos do frigorífico”, lembra Marli Feeken.

A gastronomia, como era comum nos anos 50 e 60, tinha a companhia das apresentações musicais e saraus que iam até tarde. “Nomes como Orlando Silva e Emilinha Borba, astros da música brasileira e grandes cantores do rádio, se apresentaram no Boneca do Iguaçu. Eu era a única filha e meus pais me nostravam como a ‘boneca do iguaçu’”, conta a empresária, descendente dos pais alemães que seguiam a religião luterana.

Antes de se aventurar como proprietário de bar e restaurante, Harry Feeken foi músico da Banda Trianon, que fazia parte do casting fixo do Cassino do Ahú, em Curitiba. Com a proibição dos jogos no país em 1946, e a queda de frequentadores do Cassino Ahú, uma boa parcela dos colegas músicos de Harry encontraram em São José dos Pinhais uma alternativa para se apresentarem fora da Capital.

No acervo que Marli doou para o Museu Atílio Rocco existem imagens de músicos como Genésio Ramalho, Giuseppe Bertollo (o Beppi), Arlindo Montanari e Cláudio Todisco. “Acredito que esta documentação escrita e as fotografias estarão muito bem guardadas no museu, pois a Secretaria Municipal de Cultura tem uma equipe para se responsabilizar por isso”, avalia Marli, que projeta o incentivo de outras histórias familiares.

“São José dos Pinhais está crescendo economicamente e é importante que estas histórias das famílias do município sejam catalogadas, pois existem outros casos interessantíssimos que fazem parte da cultura e não podem se esquecidos”, defende Marli Feeken.


Mudança do público alvo
O ponto de encontro mais famoso do município chegou ao fim em 1964, quando Harry Feeken adoeceu e fez um contrato de arrendamento do seu empreendimento. O arrendatário explorou muito mais as belezas das novas convidadas do que a gastronomia e a música, e o local se tornou o que se denominava no período como casa de tolerância.

“Meu pai ficou muito triste com o destino do restaurante, mas essa parte da história não é o que ficou e, sim, os anos de sucesso que deram origem à Boneca do Iguaçu”, conclui Marli Feeken.

PautaSJP.com



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