Escritora Maria Angélica Marochi contextualiza emancipação política de SJP

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Nesta terça (08), São José dos Pinhais completa 160 anos de emancipação política, com a criação do município pela Assembleia Legislativa Provincial de São Paulo, quando, em 08 de janeiro de 1853, houve a posse dos primeiros vereadores. A lei de criação da cidade é de meses antes, de 16 de julho de 1852, na época, sancionada pelo vice-presidente da Província de São Paulo. A historiadora e escritora Maria Angélica Marochi, autora de vários títulos sobre o município, a pedido do PautaSJP.com, contextualizou este momento que marca a independência administrativa de Curitiba. “Foi construída uma trajetória social, religiosa, política e econômica marcada pela cultura portuguesa”, aponta a historiadora.

Com a posse dos vereadores instala-se na Câmara Municipal e, oficialmente a nova “Villa de São José dos Pinhaes”, desmembrada politicamente de Curitiba. De 1853 a 2013, em 160 anos de história, o município passou por significativas mudanças em sua organização política e administrativa. E anterior a esta emancipação política? Como tudo começou?

A partir da metade do século XVII, quando da chegada dos primeiros colonizadores portugueses até o ano de 1853, em terras hoje são-joseenses, foi construída uma trajetória social, religiosa, política e econômica marcada pela cultura portuguesa. Os portugueses e seus descendentes detinham o poder local e consequentemente impunham suas ideias.

Por volta do ano de 1660, surgia o primeiro núcleo populacional português. Era o Arraial Grande, um pequeno povoado construído de forma desordenada junto ao rio do Arraial na Serra do Mar. Neste povoado as pessoas eram ligadas a exploração do ouro. Poucos anos mais tarde, em 1690, já em um espaço atualmente pertencente ao centro urbano do município, houve a inauguração da Capela do Senhor Bom Jesus dos Perdões. O padre João da Veiga Coutinho, seu fundador, teria sido a primeira autoridade local.

No ano de 1721, o ouvidor Raphael Pires Pardinho redigiu a primeiras leis especificas para a “Freguesia de São José". Tudo era realizado com base na legislação vinda de Portugal, que tratava da organização política e religiosa dos municípios. Por meio de um acordo denominado Padroado, a Igreja Católica era a religião oficial e, por bem mais de dois séculos seus dirigentes tiveram significativa participação na vida social e política são-joseense. Na maioria das vezes, as grandes decisões políticas e religiosas da Freguesia ocorriam junto da Igreja Matriz, atual Catedral de São José.

A partir do início do século XIX, a ideia de separar a Freguesia de São José da Vila de Curitiba aparece em vários documentos oficiais. Por diversas vezes, alguns políticos são-joseenses, entre eles Manoel Mendes Leitão, endereçaram para as autoridades da Província de São Paulo seus pedidos, mas todos sem êxito.

No início da década de 1850, aparecem importantes mudanças quando lideranças políticas paranaenses, principalmente de Curitiba e Paranaguá, passaram a cobrar a criação da Província do Paraná.

Uma das justificativas para a instalação da Província era o aumento populacional, com um consequente crescimento de antigos povoados como o da Freguesia de São José. Assim, pressionados por políticos regionais, as autoridades paulistas atenderam o antigo sonho são-joseense.

No dia 16 de julho de 1852 era assinada a Lei nº 432 da Província de São Paulo, ou Lei nº 10 de 1852, que em seu artigo primeiro definia: “Fica elevada à categoria de Villa de S. José dos Pinhaes a freguezia do mesmo nome da comarca de Coritiba”.

Maria Angélica Marochi

PautaSJP.com

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