Reabertura de hospital vira palanque político

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Fonte Gazeta do Povo

Vinicius Boreki

A reabertura do pronto-socorro do Hospital São José virou palanque para uma disputa entre dois postulantes à prefeitura de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Enquanto Giovani de Souza, Secretário Municipal de Saúde, e seus convidados discursavam na reinauguração do espaço, valorizando o trabalho do atual prefeito e candidato à reeleição Leopoldo Costa Meyer (PSDB), diversos militantes contratados para a campanha de Ivan Rodrigues (PTB) estendiam suas bandeiras, gerando uma verdadeira batalha entre siglas.
Por três anos, o pronto-socorro permaneceu fechado. Nesse período, ele foi administrado por uma junta de empresários da região, liderados por Rodrigues. Christian Bundt, um dos integrantes do grupo e vice-presidente da Associação Comercial de São José dos Pinhais, afirma que a prefeitura repassava mensalmente R$ 150 mil para sanear as dívidas do hospital. Um acordo previa a quitação em um prazo de 36 meses. Em abril deste ano, no entanto, o Ministério Público obrigou a prefeitura a assumir os encargos e reabrir o pronto-socorro.
Por meio de um decreto de emergência aprovado pela Câmara de São José dos Pinhais, a verba de R$ 8 milhões (dividida em uma parcela de R$ 5 milhões e outra de R$ 3 milhões) foi liberada para a revitalização do hospital.

Arrecadação
De acordo com o Secretário Municipal de Saúde e atual interventor do pronto-socorro, Giovani de Souza, o repasse da prefeitura se deve a um “aumento inesperado” na arrecadação da cidade. “Existe um planejamento de arrecadação realizado pela prefeitura. Com base nisso, percebeu-se que havia um aumento de R$ 7 milhões no valor esperado. E o prefeito decidiu destinar esse dinheiro, com o acréscimo de R$ 1 milhão, para as obras do pronto-socorro”, diz.
Segundo Bundt, a prefeitura negou repasses de grandes valores. “É estranho. Na época, as verbas eram de R$ 150 mil por mês. E, agora, quando a Justiça obriga a abrir o pronto-socorro, surgem R$ 8 milhões do nada”, critica Bundt. “Pelo menos, a obra é extremamente importante para a cidade. E essencial para o povo”, completa.

Protesto
A reabertura do hospital também serviu de palco para a manifestação do Sindicato dos Servidores Municipais de São José dos Pinhais. De acordo com o presidente eleito da entidade, Nelson Castanho (que assume o cargo na segunda-feira), o hospital é um espaço particular reformado e gerido com dinheiro público. “Defendemos um hospital público de verdade, que necessite de licitação, concurso público... Que não é o caso do pronto-socorro”, explica Castanho.
Para Souza, é inviável que o hospital se mantenha sem a participação de planos de saúde. “O hospital público só atende ao SUS. O filantrópico pode atender aos planos de saúde e quem pode pagar pela consulta. Teremos aproximadamente R$ 600 mil mensais só com os serviços particulares”, justifica o secretário.

Pronto-socorro desafogará emergências de Curitiba
Depois de três anos em que o hospital esteve praticamente fechado, a reinauguração do pronto-socorro do Hospital São José, além de ser considerada uma obra necessária à comunidade local, também auxiliará a desafogar o sistema de saúde de Curitiba. “Os serviços do Samu e Siate encaminharam, durante esse período, os casos de trauma de São José dos Pinhais para o Hospital Cajuru e do Trabalhador. E os casos clínicos para o Evangélico”, diz o diretor do Sistema de Urgência e Emergência de Curitiba e Região Metropolitana, Matheos Chomatas.
Com 100 leitos – 12 destinados a UTI – e cinco salas de cirurgia, o espaço vai concentrar as especialidades médicas, à exceção das gestantes e crianças. “Essas duas áreas ficam no outro hospital de São José dos Pinhais”, diz Divonzir José Borges, promotor de Justiça de Saúde Pública do município.

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