Quando os são-joseenses não quiseram futebol e foram às ruas

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[Atualizado ás 12h45]

Eram 16h de sábado (22), quando o time do Brasil entrou em campo pela Copa das Confederações contra a Itália, no último jogo da primeira fase da competição. Neste horário, mais de mil são-joseenses rumavam em direção ao Aeroporto Internacional Afonso Pena para manifestar contra a corrupção e alto custo de vida. Eles entraram no piso de embarque (segundo andar), gritaram palavras de ordem e de protesto, cantaram o Hino Nacional e depois de cerca de 10 minutos saíram pacificamente e se mobilizarem na frente da Câmara Municipal e Prefeitura, e no Terminal de Ônibus.

Mesmo quem não queria acabou sabendo da passeata, como aconteceu com os motoristas que circulavam pela Avenida das Torres perto das 18h, quando a via foi interditada nos dois sentidos. Algumas pessoas presas no tráfego comentaram ao PautaSJP.com que, apesar do atraso, consideram importante o ato cívico. Da mesma forma, moradores do município, que das janelas e sacadas assistiram o movimento. A participação também contemplou quem mora fora da cidade.

“Estou vindo de Curitiba e São José dos Pinhais é uma extensão da Capital, então, o que melhorar aqui, vai melhorar lá também. Eu apoio a manifestação contra o problema de aumento do valor de transporte e não integração na região metropolitana”, disse Geise Carneiro, de 25 anos, moradora do bairro Sítio Cercado. “Eu sempre quis participar, pois realmente acho que não está bom o Brasil e minha mãe não queria me deixar vir, mas como minhas tias vieram eu estou aqui”, completou Lívia Carneiro, de 12 anos, acompanhada de Larissa Carneiro.

Os políticos locais não escaparam dos protestos. Eder Henrique da Costa, estudante de 22 anos, reclamou do prefeito Luiz Carlos Setim. \\\\\\\"Não é só o preço da passagem o problema, queremos resolver a PEC 37, a corrupção e o alto salário dos políticos. Não entendo como não podem abaixar o preço, sendo que poderiam baixar as regalias”, queixou-se Eder da Costa.

No terminal de ônibus, região central de São José dos Pinhais, Henderson Lira, de 21 anos falou do Congresso e do governo Federal. “A gente elege os governantes para o povo. Quando querem voto temos que dar, mas não podemos ser ouvidos”, falou o jovem que mora no bairro Afonso Pena.

Quanto a Copa das Confederações, Eduardo Júnior, do Jardim Cruzeiro declarou: “Achamos melhor vir para a manifestação porque enquanto eles estão jogando futebol nós temos que lutar pelos nossos direitos, dando nossa voz para um País melhor”, comentou Eduardo Júnior.


Prefeitura
O secretário municipal de Segurança, Adriano Mühlstedt, elogiou as manifestações e enfatizou que o exagero nos protestos foi de uma parcela mínima frente a multidão que se mobilizou pacificamente.

“São José dos Pinhais deu exemplo de cidadania para todo o Brasil, por meio de uma passeata que transcorreu muito bem. É claro que com o vandalismo na noite anterior, em Curitiba, nós reforçamos a presença da Guarda Municipal e pedimos mais apoio da Polícia Militar. Em vários momentos as ruas foram ocupadas incluindo o bloqueio do trânsito pelos manifestantes, por cerca de dez a quinze minutos. Quanto a ação da tropa de choque ela foi muito bem conduzida, na dispersão de cerca de 100 jovens, pois o tráfego já estava impedido há muito tempo”, disse Adriano Mühlstedt.

Pelas redes sociais, o prefeito Luiz Carlos Setim parabenizou quem participou da manifestação. “Protesto pacífico, reivindicações coerentes, vontade de mudança e respeito ao próximo! Queremos ouvir vocês, então vamos reiterar o convite já feito. Participem das próximas consultas públicas”, escreveu Luiz Carlos Setim.


Vídeo do PautaSJP.com sobre mais de cinco horas de protestos em São José dos Pinhais

http://www.youtube.com/watch?v=lVDhTTSW14M

PautaSJP.com jornalistas Marcos Rosa Filho e Bárbara Lobo

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