Corrida do Milhão – Por detrás da Stock, texto de João Leopold

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Um milhão de dólares – US$1,000,000.00. Nunca antes neste país uma corrida teve uma premiação neste valor, nem próximo creio e nunca antes pelo meu conhecimento o prêmio tenha sido tão limitado na sua ação, somente o primeiro lugar na corrida receberá tudo. Pelo ineditismo do fato e somado ao fato de ser no Rio de Janeiro cidade que visitei a última vez há quase quarenta anos decidi participar deste evento e levar aos amigos os causos e coisas que acontecem por detrás deste circo magnífico da Stock Car.

23 de agosto de 2008 (Sábado)
Saí de São José dos Pinhais após o almoço com destino ao Rio, viagem maravilhosa e parei para dormir na via Dutra no posto Graal Clube dos Quinhentos. A BR116 entre Curitiba e São Paulo é uma amante antiga que agora em vésperas de privatização está fazendo uma boa plástica e a Dutra já é a rodovia que mais gosto de andar a muito tempo.

24 de agosto de 2008 (Domingo)
Acordei cedo o suficiente para assistir o basquetebol Espanha x USA um show dos profissionais americanos muito valorizados pela excelente equipe espanhola que fizeram um espetáculo. Até o fim não se podia dizer quem seria o vencedor ao contrário da F1 em Valência que assisti no posto dos Mamões (Último antes da serra das Araras). No sábado já tinha assistido a GP2 e vi que mesmo o circuito sendo grandioso tinha uma limitação enorme para qualquer ultrapassagem então o pole provavelmente seria o vencedor e não deu outra, tirando o Kimi que quebrou até o oitavo as posições permaneceram as mesmas da largada. No primeiro pit vendo que nada tinha mudado fui embora para curtir esta serra maravilhosa. A primeira curva da descida já se deslumbra uma fotografia de cartão postal, um êxtase!
Próximo ao Rio liguei para o meu amigo Edenilson Penco que mora na ilha do Governador e combinamos se encontrar em x lugar para ele me comboiar até o autódromo, obviamente para não variar eu errei e ele me achou em São Cristóvão. Até que foi sorte, pois viemos pela lagoa Rodrigo de Freitas e outros lugares que fazem o Rio justificarem este apelido de cidade maravilhosa.
O autódromo inicialmente dá uma impressão de abandono, coisa que muda rapidamente para a certeza do fato. Porém este abandono está em detalhes mínimos facilmente corrigíveis. Aproveitamos para dar inúmeras voltas no circuito tanto de quadriciclo como com o carro do Penco. Neste dia os únicos que estavam trabalhando no autódromo era o pessoal da Corlumb (Prefeitura) fazendo uma geral e pelo ritmo empregado imagino que irá precisar de um milagre para mudar a fisionomia dele.
Mais adiante saímos para irmos passear e comprar algumas coisas que me faltavam na farmácia. Uma delicia a areia da praia (Talco) na Barra da Tijuca e um mar verde claro com ondas altas fazendo a decoração. Um ótimo sanduíche para janta coroou este passeio.
O ponto alto em curiosidade foi o fato de voltarmos para o autódromo próximo as 22:00h e encontrarmos o portão fechado e ninguém para atender. Mais de uma hora depois chegou um rapaz que trabalha na colocação de publicidade recém chegado de São Paulo e daí depois de mais um longo tempo de espera o convencemos a saltar a cerca e ir procurar ajuda lá dentro. Aí a coisa pegou, ou melhor, os seguranças o pegaram lá dentro e tudo ficou uma confusão, o grupo dele já tinha saído, ele preso do lado de dentro e eu do lado de fora proibido de entrar sem autorização do Valtair (Administrador) que tinha saído e estava com o telefone desligado. O Luis chefe momentâneo decidiu que eu não entraria e o caboclo da publicidade teria que sair. Depois de muito tempo negociamos que o Edenilson levaria o rapaz a um hotel e eles me escoltariam para dentro para confirmar que minha casa realmente estava estacionada no autódromo. Final feliz e curioso pelas sutilezas do comportamento humano.

25 de agosto de 2008 (segunda-feira)
Dia de recuperar sono, excelente energia elétrica e água só no mar, o autódromo é dependente de carro pipa. O restaurante do Dedé já está montado o que resolve meu problema de alimentação.

26 de agosto de 2008 (terça-feira)
Manhã lindíssima e depois do café aproveitei para dar inúmera voltas de quadriciclo pelo autódromo, traçado delicioso com ótima qualidade de asfalto. Minha impressão é que pela facilidade de adaptação e volume de locais para se tentar ultrapassar será uma corrida forrada de acidentes, veremos...
Pela manhã recebemos a visita do Luciano Huck e da triatleta Fernanda Keller, como fazem usualmente eles pedalam no circuito. Muito simpáticos ambos e passei alguns momentos conversando com eles, depois eles foram treinar me autorizaram a fotografar.

27 de agosto de 2008 (quarta-feira)
As carretas trazendo os carros começaram a chegar assim como mais alguns motor-homes, ambiente descontraído com muita conversa. A tarde veio meu amigo Edenilson Penco e juntos conferimos todos os avanços no autódromo. A maquilagem mascara mesmo ainda que falte muita coisa.
À noite assisti pela Virtual TV (Computador) ao vivo a corrida de longa duração (Spa-Francorchamps) em comemoração a primeiro aniversário do site SRB, foram quatro horas de emoções e o Edenilson Penco que fez dupla com o Celso Zima foram ao pódio com o terceiro lugar. Em primeiro ficou a dupla Beto Monteiro e Ricardo Silva. Este Beto é o mesmo que foi campeão e ainda compete na Fórmula Truck. Em segundo ficou a dupla argentina Acevedo e Andujar.

28 de agosto de 2008 (quinta-feira)
Agora a montagem está acelerada e as grandes equipes estão prontas, o autódromo a plastificação o deixou com cara de recebedor de um grande prêmio. Todos os componentes do circo estão aí e fofocas e previsões são trocadas constantemente.
O conflito da água continua, caminhões pipas abastecem constantemente e hoje completei a minha caixa.
Todos aqui também se filiaram a campanha de doação de sangue, todas as noites milhões de mosquitos nos sugam freneticamente.

29 de agosto de 2008 (sexta-feira)
Recebi a visita do meu amigo Cesquim que trouxe o seu filho Marcelo para o primeiro contato na categoria, recém completou os dezoito anos e já tem um titulo de campeão paranaense de velocidade na terra e lidera o campeonato deste ano também. Aparentemente nada o irá impedir de estar no grid do campeonato do ano que vem.
Pensei que seria simples fazer uma descrição deste período e não está sendo, são tantas conversas, tantos encontros que quando volto para casa só um banho e cama vem ao pensamento. Fotografias eu não faço porque a máquina fotográfica inibiria esta situação de intenso companheirismo, mas para dar um colorido coloco a foto que o meu amigo Aco Prata bateu por ocasião da última Stock em São Paulo.

30 de agosto de 2008 (sábado)
Com tanta coisa boa acontecendo e eu acordo sentindo-me miserável, os dias anteriores já andava com dores de cabeça bem chatas embora a Cibalena em doses maciças estivesse controlando. Enfim era uma gripe me pegando de jeito na hora errada. Muque nas doses de Cibalena e vamos ao prazer, tempo esquisito intercalando chuva e fases secas prometendo treinos de qualificação confusos.
E não deu outra, o Diogo Pachenki que estava confiante na pole rodou nas tentativas principais e em uma situação que não combina com suas qualidades de pilotagem terminou em décimo nono. O meu outro favorito na categoria principal o piloto Átila Abreu comeu bola em não sair imediatamente para a volta rápida já que o céu estava explodindo em nuvens de chuva e também amargou uma largada na 31º posição. Mesmo fazendo caca o carro do Diogo Pachenki estava bonitinho, o nome MINON combina.
Terminado o classificatório me recolhi ao motor-home onde adormeci até o dia seguinte e mesmo que alguns companheiros batessem na minha porta para perguntar se eu tinha alguma necessidade era só o tempo de eu pôr a cabeça na janela para mostrar que ainda estava vivo e retornar a cama.
Soube posteriormente que o Reginaldo Leme e outros amigos foram lá também até porque como usualmente acontece o Wanderley pai do piloto Eduardo Berlanda oferece uma recepção no seu motor-home e o seu carinho mais a sua carne diferenciada junto com o chope tirado na hora fazem todos passarem bons momentos de confraternização.

31 de agosto de 2008 (Domingo)
Acordei sentindo que a coisa poderia ficar pior para mim, a gripe algumas vezes acaba me fazendo vir uma sinusite e quando esta última me ataca fico até impossibilitado de dirigir. Então debaixo de chuva fui avisar o Mário e alguns outros companheiros que iria embora enquanto me sentia em condições, o Alexandre gentilmente me deu o número do seu celular para no caso de eu precisar de ajuda na estrada ele iria me socorrer já que o Mário ficaria no Rio porque semana seguinte o piloto Alceu Feldman iria correr na GT3.
Saída muito fácil para a Dutra, simplesmente se pega à linha amarela (pedagiada) e depois a linha vermelha. Tomei café já no estado de São Paulo assistindo a corrida pela televisão com a vitória do Valdeno Brito. Ele por sinal é um ótimo piloto virtual então sua vitória tinha um significado especial para a nossa categoria. Como não estava lá para dar um abraço no milionário fica a foto que fizemos juntos em São Paulo.
Infelizmente para mim houve um desgosto quando ele comentou para o repórter que devia esta vitória a Jesus arf! Acho uma prepotência dizer-se escolhido do divino em prol dos outros trinta e três pilotos que obviamente no seu ponto de vista não mereciam a mesma graça que ele.
Continuei a viagem que mesmo doente estava dando muito prazer e fiz a volta em duas pernadas dormindo no posto Graal Buenos Aires. O motor-home tem poderes paliativos miraculosos hehehe. Mais a doença ainda está comigo e hoje dia cinco ainda continuo me sentindo mal então eu e a Iara iremos logo após a etapa de Curitiba da Stock (Inicio dos playoffs) para os Lençóis Maranhenses onde a Santa Mãe Joana faz curas com camarões.

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