Opinião - Crise sob controle

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Por Adelino Venturi

A intranqüilidade detonada pela crise no mercado financeiro norte-americano tomou conta da economia mundial. As bolsas de valores apresentaram quedas espetaculares. No Brasil não foi diferente. O movimento no mercado de capitais foi negativo. Todavia, essa crise não teve o impacto catastrófico dos tempos passados. O Brasil mantém seus fundamentos macroeconômicos em boa situação e, o que é essencial, a inflação sob controle.
Há, portanto, um clima favorável para os investimentos externos de médio e longo prazo.
Para a visão leiga, esse é um cenário analítico que fica distante da realidade do cotidiano, em particular do mercado imobiliário.
É fato que não houve nenhuma anormalidade no nosso trabalho.
Não se tem notícia de que tenha ocorrido em qualquer lugar do país uma retração no mercado imobiliário. E não é novidade, que se trata de um segmento sensível às oscilações do processo econômico do país.
Nos últimos tempos, destaca-se na imprensa, na TV, que o mercado de trabalho na área da construção civil está aquecido. Há carência de trabalhadores, desde a mão-de-obra simples até a mais qualificada.
No que tange ao mercado imobiliário, de maneira direta, nada anormal, ou tudo está dentro da normalidade. O fluxo de negócios se mantém ativo e crescente, porque há credibilidade no nosso trabalho, principalmente no seu aspecto profissional.
Por isso, a grande surpresa quando os candidatos presidenciais dos Estados Unidos – Barack Obama e John Macain - concordaram que a crise foi a mais extraordinária em Wall Street desde os anos 1920. Afinal, o banco Lehman Brothers – quarto maior banco de investimento norte-americano – foi para o brejo depois de registrar perdas milionárias relacionadas a valores hipotecários. Notícias dão conta ainda de que a seguradora American International Group (AIG) pediu ao banco central americano, o Federal Reserve, um empréstimo de US$ 40 bilhões.
Em razão dessa catástrofe é pertinente questionar por que razão o Brasil se mantém distante dessa crise. Recorda-se que num passado não muito distante a nossa economia era uma das primeiras a demonstrar fragilidade. As chamadas bolhas de crescimento transformavam a realidade da economia brasileira da noite para o dia. E a inflação estourava. Não havia confiança em nada.
Hoje, porém, a nossa economia se mostra forte e resistente a essa crise, que não é de hoje, porque as perdas do sistema financeiro norte-americano relacionadas ao setor hipotecário vêm ocorrendo há bastante tempo.
Então, é necessário reafirmar que a nossa preocupação, no que diz respeito à tranqüilidade do nosso ramo de negócio e da economia em geral é manter um estado de alerta sobre a possibilidade de desequilíbrio inflacionário.
Devemos reconhecer que a política monetária do Banco Central está no caminho certo, assegurando que a ganância de alguns setores não desestruture a economia do país, principalmente quando acontecem crises externas.
No mercado imobiliário e em todos os setores da economia deve estar presente a consciência de que só haverá futuro de prosperidade se, no presente, todos os esforços se concentraram no combate ao inimigo comum: a inflação.

Adelino Venturi é empresário do ramo imobiliário e coordenador da Câmara Setorial Imobiliária da Associação Comercial de São José dos Pinhais - Aciap

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