No meio da briga URBS X Comec sobrou para os passageiros de ônibus

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A URBS (Urbanização de Curitiba S/A), que organiza o transporte curitibano, e é um órgão ligado à Prefeitura da Capital, no ano de 1996 fez convênio na implantação da Rede Integrada de Transportes (RIT). A Urbanização de Curitiba é também responsável pelo serviço do ônibus Ligeirinho nas cidades vizinhas. A organização das linhas metropolitanas é atribuição da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (Comec), órgão do governo do Estado na RIT. Com a recente proibição de embarque ao longo da Avenida das Torres no trajeto sentido Curitiba, os passageiros sem qualquer informação, também pela empresa que opera no trecho, ficaram sabendo do impedimento quando bateram com a cara na porta. O embarque está autorizado somente do outro lado da denominada Avenida Comendador Franco, no sentido São José dos Pinhais. Nenhum ponto de ônibus trazia algum tipo de aviso ontem (09).

O desentendimento entre o grupo do prefeito Gustavo Fruet e do governador Beto Richa, por causa da relação despesa/receita no transporte coletivo, foi ampliado com a recente apresentação da Pesquisa de Origem e Destino feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), da Universidade de São Paulo (USP), que mostrou que os passageiros que se deslocam dos municípios vizinhos para a Capital representam 31,2% das viagens nos veículos da RIT. Antes, a estimava de URBS e Comec era de 21,7%. Basicamente, a URBS considera que o Estado deve ter mais participação financeira na RIT e a Comec aponta que a URBS deve ampliar sua parcela na rede.

Procurada pela reportagem, a URBS comunicou que as informações sobre o caso são da Prefeitura de Curitiba. A Prefeitura da Capital deixou as explicações ainda mais confusas pois deu o exemplo dos taxistas de São José que não podem embarcar passageiros em Curitiba, e de Curitiba que não podem embarcar passageiros em São José, porém, em ambos os casos, é pago a taxa de retorno, o que não se aplica nos ônibus.

A URBS defende que os veículos vindos de São José dos Pinhais não são integrados e que os usuários desse sistema são incluídos no cálculo da tarifa técnica da RIT, porém, o lucro nas catracas vai para a Comec. Ainda segundo a URBS, é de conhecimento das empresas que desde a criação da RIT, há 18 anos, não seria possível prestar serviço de embarque em Curitiba, mas a restrição nunca tinha sido fiscalizada e várias multas foram aplicadas nas últimas semanas.

No departamento de Comunicação da Comec informaram que nenhum diretor estava disponível na hora do contato para entrevista. A Prefeitura de São José dos Pinhais espera posicionamento da Comec perante a URBS. “A Comec é contra a medida e pede esclarecimentos para verificar o que é possível fazer de forma a reverter esta situação, pois a proibição afeta milhares de são-joseenses que utilizam essas linhas e as restrições impostas complicam o translado”, divulga a Prefeitura são-joseense por meio de nota.

De acordo com o diretor da Auto Viação São José, Murilo Dal Negro, o impedimento deve se prolongar para a Avenida Marechal Floriano (Boqueirão) e a BR 277. “Após algumas multas decidimos não prestar mais o serviço de embarque na Avenida das Torres em cerca de 10 km de distância. Ainda não soubemos a razão das multas e esperamos um comunicado oficial da URBS”, conta o diretor.


Passageiros não foram avisados da proibição
No bairro Uberaba, milhares de curitibanos se utilizam dos ônibus de São José dos Pinhais. É o caso de Reinaldo Aparecido de Sousa que trabalhava em uma obra na região apelidada de Curva do Tomate e só soube da proibição quando acenou para os motoristas. “Os ônibus amarelos aqui dão muita volta e isto vai prejudicar a gente”, questiona Reinaldo de Sousa.

Trabalhadora em São José, e residente no Uberaba, Divanir Leite também soube da restrição no ponto de ônibus. “Os alimentadores demoram quase uma hora. Quando saio de casa para o centro de Curitiba é bem mais fácil com o metropolitano”, reclama Divanir Leite.

PautaSJP.com

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