“Dar jeito” no lixo é implantar usinas e Educação Ambiental

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Piraquara e outros 20 municípios, incluindo a Capital Curitiba, fazem parte do Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (Conresol), organização que destina para um aterro particular, em Fazenda Rio Grande, mais de 2 mil toneladas diárias de lixo. Tijucas do Sul, que fica a mais de 60 quilômetros de Fazenda, faz parte do transbordo da Conresol. A licitação para a confirmação do atual local ou escolha de outro terreno está em andamento. Sem contar os milhares de litros de óleo diesel queimados para levar tanto lixo à parte Oeste da região metropolitana, existe a certeza que o aterro não terá muito tempo pela frente pois cerca de 2 milhões de habitantes das 21 cidades vão continuar a produzir lixo. A saída, segundo o especialista em meio ambiente, o engenheiro químico Celso Luís Quaglia Giampá, é a distribuição em unidades de processamento de forma que 100% do lixo que entra seja convertido em adubo ou matéria-prima.

O engenheiro que trabalha e mora no estado paulista, em Lorena, no Vale do Paraíba, recentemente esteve em Piraquara e outros municípios da Região Metropolitana, como São José dos Pinhais, para apresentar o seu modelo de separação e tratamento do lixo, o Projeto Fênix.

“É muito mais barato e eficiente tratar o lixo nas cidades do que enviar tudo para uma área de aterro, ainda mais que os aterros, que enterram todo o lixo de forma misturada, serão áreas inviáveis à ocupação para o resto da vida. Por meio do programa envolvendo as unidades de processamento, eu afirmo que é possível transformar todo o lixo em matéria prima, sendo o orgânico em adubo e o seco em reciclável. E sem custo para as prefeituras, pois a iniciativa privada compra o que foi tratado. Inclusive, o projeto prevê a chamada Parceria Público Privada (PPP)”, explica Celso Luís Giampá que crava a viabilidade comercial.

“Por meio de máquinas e funcionários, o que entra vai sair beneficiado. Um conjunto de seis unidades de usina pode processar quase todo o lixo da Região Metropolitana e de Curitiba. Até isopor, que dizem não ser reciclável, é triturado para servir de embalagem. Mas é claro que a separação pelos cidadãos, como ampliação da proposta de Educação Ambiental, é importante, porém, sem aquele monte de cores diferentes. Cabe aos moradores separarem o lixo úmido para o caminhão de lixo orgânico e o seco para o caminhão de recicláveis, ou seja, apenas duas tarefas. Na usina o orgânico é transformado em adubos e fertilizantes para a indústria agrícola e o material reciclável abastece segmentos como da logística reversa.”

Celso acrescenta que um aterro, somando-se todo o sistema da coleta até o tratamento, pode chegar a mais de R$ 600 milhões e com duração perto de dez anos. “É possível implantar seis usinas a um custo de R$ 60 milhões, sem contar o terreno, no prazo de oito meses. Já fizemos muitos estudos e tratamentos em escalas menores e o resultado é sempre viável economicamente.


De painel solar a copo de vidro
Na conversa com o PautaSJP.com, em um hotel de Curitiba, outros assuntos de meio ambiente surgiram e o engenheiro não deixou dúvidas.

Catador X Coleta
“A coleta seletiva não encerra o trabalho dos catadores porque são eles que vão poder trabalhar nas unidades de processamento separando os resíduos”, comenta o especialista.

Energia solar X energia hídrica
“É mais caro fazer a mineração e extrair o silício, principal componente da sílica nos painéis solares, do que gerar energia elétrica a partir das represas e rios”, diz Giampá.

Copo de vidro X copo de plástico
“Em um grupo pequeno o copo de plástico é o mais indicado, pois em um grupo maior existe o perigo da contaminação caso os recipientes não sejam bem lavados. Então é melhor a utilização do copo de plástico”, esclarece Celso Luís.

Saco de lixo colorido X saco preto
“Sacos de diferentes cores só confundem a população e aumentam os custos pois o saco mais barato será sempre o de cor preta”, fala Giampá.

Sacolas X sacolinhas
“Não se deve misturar alimentos dentro da sacola de pano ou outro material por uma questão de higiene. Como o plástico é retornável, a sacolinha é a opção mais barata”, conclui o engenheiro.

Mais informações www.clinicadeengenharia.com.br.


PautaSJP.com

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