Professora de SJP lembra violência de 29/04 na Praça da Assembleia


No primeiro dia da greve, PautaSJP.com conversou com educadores que já apontavam intimidação na convocação da PM para votação da Previdência-PR

Blog Single Professores como Neusa Monteiro relatam muitos feridos, mas Beto Richa questiona
Com o anúncio pelo governo do Paraná da votação pelos deputados do novo projeto da Paraná Previdência, os professores da Rede Estadual entraram em greve na segunda (27). De manhã cedo, o PautaSJP.com publicou matéria sobre alguns educadores que já se sentiam intimidados pela convocação de centenas de policiais militares para impedir o acesso à Assembleia Legislativa. Na quarta (29), o avanço das tropas para cima dos manifestantes e disparos de milhares de balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio, deixando mais de 200 feridos, se tornou notícia internacional. Entre os educadores que se viram em meio ao conflito, estava a professora de Língua Portuguesa do Colégio Estadual Padre Arnaldo Jansen, em São José dos Pinhais, Neusa Cabral Monteiro, com 29 anos de carreira.

“São quase 30 anos e sempre na sala de aula, superando o desafio diário de trabalhar em salas lotadas, alunos que vêm com outros interesses para o colégio que não querem aprender ou estudar, pais totalmente alheios ao desenvolvimento educacional dos filhos. Apesar destes entraves, gosto muito do que faço e temos bons estudantes e pais que valorizam o trabalho dos mestres. Nestas três décadas na Educação, a minha maior tristeza aconteceu na tentativa de genocídio em praça pública. Agora, os sentimentos de angústia, raiva, sonhos, entrega da vida e esperança se misturam com as lágrimas de decepção e dor”, avalia Neusa.

A professora, que também dá aulas particulares de Inglês, diz que a violência da semana passada não deve diminuir a vocação da educadora. “Ao me deparar com colegas feridos, caídos e machucados, e, principalmente, na alma, percebi o quanto valeu a pena a minha escolha por esta profissão tão digna e importante que é a de professar a vida e o saber, estes sim, são a nossa maior e melhor arma contra as injustiças e a tirania dos que estão no poder”, conclui Neusa Monteiro. Ela não precisou ir ao hospital pois contou que a perna atingida de raspão por um disparo foi tratada em casa.


Se fosse um só ferido já seria lamentável, diz governador Beto
O governador Beto Richa falou, em entrevista para rádios, que lamenta profundamente o grave incidente ocorrido no Centro Cívico que deixou pessoas feridas durante a manifestação da última quarta. “Se fosse apenas um só ferido já seria lamentável. Tenho um grande respeito pelos professores e sou norteado por princípios democratas e de respeito à lei”, comentou o governador, com relação à divergência sobre o número de feridos.

Ele defendeu a operação policial e apontou que um inquérito será aberto para investigar se houve abusos. “A confusão começou com militantes black blocs que, infiltrados no movimento, atacaram os soldados da Polícia Militar para invadir a Assembleia Legislativa. Sete integrantes do movimento foram presos atirando pedras e coquetéis molotov contra os policiais. Eu pedi a polícia e aos professores o máximo de comedimento para evitar ao máximo o confronto. O grande problema é que havia integrantes de outros movimentos radicais infiltrados em meio aos manifestantes”, falou Richa.

PautaSJP.com

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