Motoristas infratores de SJP prestam serviço voluntário em hospitais


Condutores devem acompanhar tratamento a vítimas de acidentes

Blog Single Halisson Woiciekovski, 23, participa do projeto há três semanas [Fotos Gov/PR]
Motoristas que cometeram crimes de trânsito por dirigirem embriagados estão recebendo uma punição diferente em São José dos Pinhais. Depois da audiência na Vara Criminal, o infrator é convidado a prestar serviços voluntários às vítimas de acidentes de trânsito e participar da rotina de reabilitação e tratamento de quem passou por traumas causados por este tipo de imprudência.

Desde maio, participaram 40 condutores. Com o auxílio e acompanhamento de profissionais, eles ajudam no transporte de pacientes em cadeiras de rodas e macas, recepcionam e conversam com vítimas e familiares.

O projeto Justiça e Sobriedade no Trânsito é organizado pela 2ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, em conjunto com a Defensoria Pública e Ministério Público da cidade e com apoio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Policia Militar, Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito e Conselho Comunitário de Execução Penal.

“Os relatos de quem participou são muitos positivos e eles se dizem tocados, sensibilizados pelo contato com a vítima e com conhecimento repassado nas palestras. O interessante é que o condutor não encerra seu processo apenas pagando prestação pecuniária, mas ciente de suas responsabilidades”, conta o coordenador da ação, juiz Augusto Gluszcak Junior.

“A intenção é conscientizar e mostrar que um ato de irresponsabilidade tem impacto gigantesco na vida de outras pessoas, destrói famílias inteiras, carreiras, sonhos”, diz o diretor-geral do Detran-PR, Marcos Traad. O Detran desenvolve palestras educativas e dá apoio técnico às atividades e, depois, acompanha o histórico dos participantes para identificar se houve mudança de comportamento.

O psicólogo do Detran, Fabiano Xisto Correia, explica que o trabalho serve para sensibilizar e motivar a mudança de comportamento. “Em nossas palestras enfatizamos que álcool e trânsito são incompatíveis. As pessoas precisam entender que muitos acidentes podem ser evitados simplesmente pelo fator humano”, destaca Fabiano Correia.

“Quando os condutores entram no hospital e se deparam com as vítimas, pacientes com fraturas expostas ou entre a vida e morte, eles começam a repensar a própria vida. É um momento de reflexão”, revela a assistente social, Jeanine Luzia Ferreira de Paula.

Halisson Woiciekovski, de 23 anos, participa do projeto há três semanas. “Essa experiência me fez pensar sobre meu papel no trânsito. Os jovens são complicados, sempre acham que não terão problema no trânsito, mas há problemas que não tem mais volta. Estas atividades estão me trazendo muitas coisas boas, porque me fizeram ver que não podemos cuidar só da gente, mas dos outros também.”


Proposta na prática
Primeiro, o condutor infrator passa pela audiência na Vara Criminal e então segue para o Conselho Comunitário de Execução Penal, onde é feito um cadastro. Se demonstrar interesse em participar, ele deve passar por uma avaliação psicossocial. São 48 horas, sendo oito de palestras e 40 horas de atividades práticas. As palestras ministradas pelo Detran ocorrem uma vez por mês e tem duração de uma hora.

Os bons resultados tornaram o Justiça e Sobriedade no Trânsito um dos destaques da última Semana Estadual de Combate as Drogas, realizada pelo Governo do Paraná, em conjunto com o Conselho Estadual de Políticas Públicas, e já existe a intenção de expandir o projeto para outras cidades do Estado.

PautaSJP.com e informações governo do Paraná

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