O vereador que trabalhou na Câmara de SJP de graça por sete anos


Jornalista Renê Miranda lembra dos anos 50/60 quando os legisladores de São José dos Pinhais não eram remunerados. Hoje, Presidência da Casa gera salário de R$ 17 mil e vereadores recebem R$ 11,5 mil.

Blog Single Fundador da Tribuna de São José, Renê Miranda é formado em Jornalismo pela UFPR
Fazer campanha, assumir o cargo eletivo como vereador, participar duas vezes por semana das sessões eleitorais, atender no gabinete da Câmara todos os dias, elaborar projetos e buscar recursos com a Prefeitura, Assembleia e governo do Estado em nome das comunidades e tudo isso de graça. Parece algo impossível nos dias de hoje, em cidades como São José dos Pinhais em que o cargo na Presidência da Casa recebe R$ 17 mil e os vereadores ganham R$ 11,5 mil. Esta quinta (01), é o Dia Nacional do Vereador. Nos últimos meses, várias cidades iniciaram movimento de redução dos valores dos legisladores diante de poucos projetos realmente importantes para a população. O jornalista Renê Miranda representa uma época em que ser vereador era se dedicar voluntariamente à sociedade.

Eleito em 1957, com mais de 400 votos, e na quarta colocação em número de votantes, Renê exerceu seu mandato até 1964, quando o Golpe Militar destituiu todos os vereadores do País e o mandato passou a ser remunerado.

“Na época, o único assessor que tínhamos em cada gabinete também era voluntário. Havia uma pequena estrutura na Câmara que funcionava no prédio onde é o Museu Municipal Atílio Rocco, com secretria, telefone e cafezinho, mas era só isso. A gente percorria a cidade e recebia as pessoas de graça. Naqueles anos, trabalhei muito para que a Prefeitura colocasse saibro nas ruas de diferentes localidades, pois quando chovia era lama e lama. As sessões, com os onze vereadores, eram de quarta e sexta, das 19h às 21h”, recorda o jornalista de 85 anos. Atualmente, cada gabinete tem vários assessores parlamentares e a maioria é cargo tipo CC 5 com ganhos de R$ 3.795,99.

Depois de 64, a sua esposa, Teresinha Grosman Miranda, proibiu o marido de se candidatar. “Ela ficava brava da gente por dinheiro do bolso para ser vereador. A Prefeitura dava cestas básicas para quem precisasse e fosse muito pobre, mas tínhamos que pegar um táxi, conseguir uma carona e colocar gasolina para levar as doações e sempre para moradores que residiam longe”, lembra Miranda.

Naquele período, Renê tinha como padrinho político o deputado estadual Ernesto Moro. “Não me arrependo, pois era uma época muito boa. A convivência dentro da Câmara era com pessoas interessadas em ajudar. Como sempre fiz, como jornalista, em todos estes anos”, comenta Renê Miranda, que antes de ser vereador já era formado em Jornalismo pela UFPR. Depois foi delegado de polícia e juiz de Paz.

PautaSJP.com

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