Gretchen, Mallandro e Túlio Maravilha; um show de eleição

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Fonte Gazeta do Povo 30/09/08 - Sérgio Pinho

Túlio Maravilha: o candidato com R$ 1 de patrimônio.
Ao som da famosa marchinha que por 23 anos embalou o Show de Calouros, no SBT, desponta um dos favoritos a ocupar uma cadeira de vereador na capital paulista durante os próximos quatro anos. “Sérgio Mallandro lá, lá-lá-lá-lá-lá-lá”, anuncia o jingle, cantado por uma voz que imita Silvio Santos e inferniza as ruas da cidade desde agosto. A mesma paródia garante que, com a vitória do artista-candidato, São Paulo “vai mudar”, embora não explique como.
Maior colégio eleitoral do Brasil, com 8 milhões de votantes, o município é o berço das celebridades que migram para o mundo da política. Em 2006, graças aos paulistanos, o músico Frank Aguiar (PTB), o “Cãozinho dos Teclados”, e o apresentador de televisão Clodovil Hernandez (PPS) elegeram-se deputados federais. O feito fortaleceu a ligação entre eleição, “espetáculo da democracia”, e os representantes do “show business”.
Entre as estrelas espalhadas pelo Brasil que lutam por um mandato, nenhuma está no auge da carreira. É mais fácil dividi-las por campo de atuação – ou ramo na qual se aposentaram - do que por popularidade. E em 2008, além da tradicional bancada dos ex-jogadores de futebol, dos cantores/dançarinos, há o grupo dos ex-integrantes do Big Brother Brasil.

Turma do Bial
Tatiane Franklin do Nascimento, a Taty Pink, ficou em 5º lugar no programa de 2006 e é candidata a vereadora no Recife (PE). Adriano Luiz Ramos de Castro, o Didi Brother, participou do 1º BBB e concorre a uma vaga na Câmara do Rio de Janeiro. Encerra a bancada do reality show Arnaldo Pimentel Baptista, que virou Arnaldo Cowboy, impopular vilão da penúltima edição do programa que agora quer ser vereador em Belo Horizonte (MG).

Túlio e a maravilha do patrimônio de R$ 1
Na lista dos boleiros, há até quem ainda está na ativa. Aos 39 anos, o atacante Túlio Maravilha é artilheiro do Vila Nova, vice-líder da Série B do Campeonato Brasileiro. Tão conhecido pelos gols quanto pelo estilo falastrão, dá como certa a eleição para vereador em Goiânia (GO) e pretende seguir carreira – garante que tem condições de ser prefeito e governador de Goiás pelo PMDB.
O começo da ambiciosa trajetória, porém, não o diferencia dos políticos de sempre. O feito mais lembrado durante a campanha do goleador foi declarar à Justiça Eleitoral que possui apenas R$ 1,00 de patrimônio. Entre as celebridades em geral, a mais cara é Marcelo Frisoni, que carrega a fama de ser marido da apresentadora Ana Maria Braga e declarou R$ 2.873.550,00 em bens ao se candidatar à Câmara paulistana.
Há figuras históricas entre os jogadores-candidatos. O capitão do tricampeonato mundial do Brasil, Carlos Alberto Torres, é vice na chapa do PDT que disputa a prefeitura do Rio de Janeiro. Em São Paulo, o maior ícone do Palmeiras, Ademir da Guia (PR) busca a reeleição como vereador.
Entre os rivais do palmeirense estão dois corintianos aposentados, o lateral-direito Wladimir (PC do B) e o atacante Dinei (PDT). O último teve uma trágica passagem pelo Coritiba em 1996, quando foi flagrado no exame anti-doping por uso de cocaína. O mote da campanha de Dinei, além do tradicional “corintiano vota em corintiano”, é não fazer promessas (logo, não apresentar propostas) e emitir um estranho barulho (algo como “uuuaaapi”) para mostrar que está de boca fechada.

Gretchen e cia.
A bancada mais imponente, no entanto, é a dos artistas. Sem o sucesso de antigamente nos palcos, brigam por vagas de vereador em São Paulo o pagodeiro Netinho de Paula (PC do B) e o cantor romântico Agnaldo Timóteo (PR), que tenta a reeleição. Em Praia Grande, a famosa em campanha é a dançarina Rita Cadillac (PSB).
O caso mais emblemático, porém, é o de Maria Odete Brito de Miranda, a Gretchen, e a filha Thammy Miranda. A mãe é candidata a prefeita da cidade de Itamaracá (PE) pelo PPS e a Thammy a vereadora em São Paulo pelo PP de Paulo Maluf.
Rainha da conga nos anos 80, Gretchen decaiu com histórias de brigas com companheiros, problemas de relacionamento com a filha homossexual, imersões em religiões diversas, até virar estrela de um filme pornô. Aos 49 anos, o último passo, entrar para a política.
Mas o que os partidos ganham com famosos no fundo do poço, que podem prejudicar a imagem dos demais? “Nas disputas proporcionais (como para vereador) eles precisam de puxadores de votos para melhorar os coeficientes eleitorais daqueles que tentam a reeleição”, explica Cila Schulmann, coordenadora de comunicação e estratégia de campanhas há 20 anos. “Quem não é bom de televisão não tem voto e as celebridades não sofrem com esse bloqueio.”
A presença de cada vez mais famosos nas disputas eleitorais, segundo ela, é mesmo um fenômeno em evolução. O problemas desses candidatos seria a falta de informação sobre o que é exercer um mandato político. “Muitos acham que não precisam trabalhar e quando descobrem o contrário, acabam desistindo.”
Nesse sentido, Sérgio Mallandro dá o exemplo. “Ser um bom vereador não é difícil”, diz o artista, na abertura de seu espaço no horário eleitoral gratuito na televisão. O primeiro mandamento do parlamentar, segundo ele, deve ser “gostar do povo”. O resto a fama resolve.

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