Com “participação” de vereadores, eleição ao Conselho Tutelar de SJP teve mais de 100% de presença de eleitores. Ministério Público vai pedir cassação de dois concorrentes ao Conselho por investigação de campanha e transporte irregular dia 04/10.


Blog Single Somente no Colégio Costa Viana, votaram 5.514 pessoas [Foto Pref/SJP]
As eleições a dez cargos de conselheiro tutelar em 2010, durante votação em São José dos Pinhais, com 26 concorrentes, teve a participação de 3.665 eleitores, entre os votos válidos. No pleito de 04 de outubro de 2015, processo que está sendo investigado devido a denúncia de apoio ilegal de vereadores a candidatos, compareceram 8.204 eleitores, entre os votos válidos. Se os indícios de campanha e transporte de votantes vão respingar ou não nos legisladores, o caso está sendo investigado pelo Ministério Público (MP), mas a possível ajuda dos políticos parece ter aumentado em mais de 100% a vontade da população sair de casa em um domingo e votar para o Conselho Tutelar, mesmo em uma participação voluntária. Como comparativo, a última eleição a prefeito, no ano de 2012, teve a confirmação de 137.472 votos válidos, em votação com presença obrigatória.

Um grupo de 14 derrotados entre os candidatos acusa nove políticos da Câmara de além de terem feito campanha, principalmente com os assessores pedindo voto, transportarem as pessoas no dia da eleição. O Regimento Eleitoral da Comissão do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), que rege a realização da eleição, é claro ao destacar que não pode haver apoio de políticos.

A ilegalidade foi levada em conta pelo MP que se posicionou quanto ao caso. Após relatório da Comissão Eleitoral do CMDCA, sobre a concorrência ao cargo de conselheiro no mandato 2016-2019, o Ministério Público, por meio da Promotoria, pedirá que dois eleitos sejam cassados antes da nomeação, em janeiro.

“Recebemos 27 denúncias e sete foram acatadas e as outras descartadas por falta de provas consistentes. Este é o resultado da análise, com a colaboração da Procuradoria-Geral do Município, encaminhada ao Ministério Público, que dará sequência às investigações e sanções”, diz a presidente do Conselho, Lidiane Conceição dos Santos. O cancelamento da eleição está descartado, de acordo com o MP.

O PautaSJP.com ouviu com exclusividade alguns integrantes do grupo de acusação que se sente prejudicado. “Com os gabinetes trabalhando para eleger os candidatos de preferência dos vereadores é praticamente uma luta desigual como campanha. E no dia da eleição, por exemplo, do bairro São Marcos, saíram muitos carros e vans transportando eleitores”, aponta um dos que perdeu a votação. A reportagem tem mantido o nome destas pessoas em sigilo, pois boa parte trabalha na área social e de educação e teme por represálias.

São apontados pelo grupo de 14 candidatos derrotados na infração de cooptação de votantes os seguintes vereadores: Mari Temperasso (PSDB); Tadeu Camargo (PSL); Alberto Setnarsky (PMDB); Gilberto de Mello (PV); Edison Celli (PSC); Luíz Paulo de Lima (PSB); Luíz Carlos Monteiro (PSB); Nina Singer (DEM); e Onildo dos Santos (SDD). Um pedido de posicionamento diante da acusação foi enviado para os políticos mas, até o momento, de produção da matéria, não houve retorno.

Os vereadores Mari Temperasso e Alberto Setnarsky responderam a solicitação da reportagem e rebateram a acusação, mas reconheceram que falharam. Confira na outra matéria o depoimento dos vereadores do PSDB e PMDB. http://www.pautasjp.com/noticia.php?nid=3475

A vereadora reconhece que elogiou uma candidata vitoriosa, nega o transporte e campanha eleitoral, porém, aponta que colegas realmente praticaram as ilegalidades. O vereador, em primeiro mandato, diz que não sabia que a campanha e o transporte são ilegais.

PautaSJP.com

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