Descaso da Pref-SJP põe em risco quem passa no Parque do Ressaca

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[Atualizado 03 de novembro]

Após ventos que destelharam algumas casas na semana passada, a chaminé do antigo Frigorífico Argus, localizada no Parque Linear do Ressaca, começou a ruir. Basicamente, uma obra emergencial de contenção seria suficiente para que um projeto de restauro neste patrimônio municipal (ainda não reconhecido), de mais de dez metros de altura, fosse realizado futuramente. O local era vizinho ao antigo restaurante Boneca do Iguaçu que se utilizava das carnes do frigorífico para atender a clientela nos anos 60, incluindo governadores e artistas famosos. A reportagem do PautaSJP.com constatou que os pedestres e ciclistas, e demais pessoas que passam por ali podem, literalmente, serem atingidas por um tijolo de mais de 01 kg.

“A Defesa Civil veio, inclusive no dia em que ventava muito e uma parte já havia caído, e isolou o lugar com uma fita de plástico. Depois de falarem, que precisam de três licitações para arrumar a chaminé, simplesmente foram embora. É claro que os frequentadores tiraram a fita e continuaram a passar por aqui. A chaminé pode cair em cima do telhado da nossa empresa”, preocupa-se Fernanda Rebelo, proprietária de um comércio de venda e aluguel de carretinhas.

O ciclista Ronaldo Silva passou pelo caminho e achou estranho que não há qualquer isolamento. “Tá perigoso mesmo. Eu vim olhando para baixo para desviar das pedras e quando enxerguei a parte de cima fiquei preocupado”, fala Ronaldo Silva.

Este projeto do Parque Linear do Rio Ressaca, que relocou, com recursos federais, vários moradores da beira do canal, vai da divisa com Curitiba, na Avenida das Torres, até quase os fundos da antiga universidade PUC na BR 376. Depois de ser inaugurada, ainda incompleta na administração do ex-prefeito Ivan Rodrigues, uma mudança estrutural no projeto foi incluída pelo governo do Estado nas obras da Copa do Mundo 2014. Uma trincheira para pedestres e ciclistas por baixo da Av. das Torres está em construção. Outras três trincheiras da Copa estão inconclusas.

Segundo a Prefeitura, esta obra ainda não é de responsabilidade do Executivo porque o governo do Estado não terminou a proposta de requalificação. Foram praticamente quatro anos da gestão do prefeito Luis Carlos Setim e nenhuma sinalização foi implementada nas ruas do parque linear. Curioso, é que o prefeito, como empresário, adquiriu o empreendimento no final dos anos 70, quando o abatedouro já funcionava no bairro São Marcos. Em muitas cidades, estas chaminés das olarias e antigos abatedouros são preservadas como símbolos da expansão da economia nos séculos 19-20.

O PautaSJP.com entrou em contato com a Prefeitura para saber em que fase de tombamento cultural está a chaminé e a razão de nada ter sido feito para ancorar os tijolos, minimizar os efeitos da ação do vento e, o mais importante, evitar o perigo de alguém se machucar. A construção tem uma base a cerca de um metro do chão e se algo cair pode ricochetear e ferir gravemente as pessoas. Da mesma forma, a "escada" de ferro também pode receber uma pancada e lançar os tijolos para cima da ciclovia.


Reposta Prefeitura
A Prefeitura de São José dos Pinhais informa que a mesma não é tombada pelo Patrimônio Histórico e nem se encontra na lista de imóveis e monumentos que deverão ser tombados. Em decorrência de um forte temporal, a estrutura ficou comprometida e a chaminé está interditada e condenada pela Defesa Civil de São José dos Pinhais, que isolou a área por diversas vezes, porém a própria população removeu as fitas. A chaminé deverá ser desmanchada no próximo mês, uma vez que o processo para esse serviço se encontra em fase de empenho junto à Secretaria de Viação e Obras Públicas.


Chão
No dia 03 de novembro a reportagem voltou ao local quando a chaminé estava ao chão.

PautaSJP.com

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