Por enquanto, PM não deve invadir colégios ocupados como de SJP

Blog Single
[Atualizada 17h]

Após pouco mais de uma semana de movimento estudantil ocupando quase 100 colégios estaduais no Paraná, a Secretaria de Educação do Estado (Seed) solicitou reintegração de posse à Secretaria de Segurança Pública do Estado (Sesp). Mas, de acordo com o secretário da Sesp, Wagner Mesquista, o órgão vai esperar novas fases de diálogo entre o governo estadual, sindicatos, lideranças estudantis, diretores de escola e professores, para evitar, por exemplo, que a tropa de choque da Polícia Militar adentre as unidades educacionais. Somente em São José dos Pinhais, há 19 colégios ocupados. O município lidera número de ocupações.

A primeira tomada de prédio desta reivindicação que, como as demais, é contra a nova proposta de reformulação do Ensino Médio, pelo Ministério da Educação, ocorreu na segunda (03), no Colégio Estadual padre Arnaldo Jansen. A pesar do requerimento na área de segurança, a secretária estadual de Educação, Ana Seres Comin, mantém a posição de dialogar com os alunos.

Um dos motivos da cidade ter saído à frente nos protestos é que a presidente da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes, é de São José. “Acreditamos que essas propostas não são adequadas para a real mudança da escola pública em nosso país. A mobilização está acontecendo de forma voluntária, onde a conscientização dos estudantes cresce a cada minuto”, diz Camila Lanes, no comunicado enviado à imprensa pela Ubes.


Defensoria Pública de SJP
Oito cidades que contam com sedes da Defensoria Pública do Paraná (DPPR) e que têm escolas ocupadas estão recebendo a visita de defensores públicos.Na sexta-feira (7), os defensores públicos Anna Carla Marques, Camille Vieira da Costa e Henrique Freire, além do ouvidor geral da DPPR, Gerson da Silva, estiveram no Colégio Estadual Arnaldo Jansen, em São José dos Pinhais.

Na ocasião, eles conversaram com os alunos sobre os direitos dos estudantes, além de verificar a situação da escola e se colocaram à disposição para intermediar o diálogo com o governo estadual.

A defensora pública Camille da Costa, coordenadora do Núcleo da Cidadania "Tudo Aqui" - que atua na temática dos direitos humanos -, relata que os estudantes se mostraram bem conscientes dos motivos que os levaram a ocupar as escolas.

“Nós questionamos e eles souberam responder cada questão. Por exemplo, quanto ao ensino em tempo integral que, a princípio, parece ser uma proposta superinteressante. Eles dizem que muitos alunos têm que trabalhar também e que esses estudantes vão ter que optar entre trabalhar ou estudar”, avalia Camille da Costa.


Confira as escolas ocupadas no município
C.E. Elza Scherner Moro; C.E. Afonso Pena; C.E. Padre Arnaldo Jansen; C.E. Costa Viana; C.E. Silveira da Motta; C.E. Hebert de Souza; C.E. Chico Mendes; C.E. Juscelino K. de Oliveira; C.E. Pe. Antônio Vieira; C.E. São Cristóvão; C.E. Angelina Prado; C.E. Shirley; C.E. Guatupê; C.E. Lindaura Ribeiro; C.E. Estadual Ipê; C.E. Unidade Polo; C.E. Barro Preto; C.E. Zilda Arns; e C.E. Tiradentes.


Projeto da nova reforma
Divulgada como Medida Provisória 746/2016, a polêmica da regulamentação está em oficializar o contra turno, com aumento da carga horária de 800 para 1400 horas/ano, sem deixar claro como será a aplicação de recursos, infraestrutura e capacitação dos educadores e profissionais que trabalham na Educação. A medida altera artigos da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) que definem as matérias obrigatórias, e das regras para as universidades elaborarem seus vestibulares.

PautaSJP.com

Compartilhe esta notícia no Facebook: