Vereador de SJP alcança 40% mais votos fazendo “não campanha”

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Atualizado 10h dia 19/10

Quem assistiu a cena de encerramento do filme Tropa de Elite 2, com o discurso do ator Wagner moura como o personagem capitão Nascimento, apontando deputados da Assembleia Legislativa carioca de usarem o Legislativo do Rio de Janeiro para se darem bem, poderia até lembrar da filmagem quando escuta o discurso do vereador de São José dos Pinhais, Marcelo Guilherme (REDE), na sessão do dia 04 de outubro. Em meio a uma câmara são-joseense investigada pelo Ministério Público do Estado, por ser um órgão assistencialista e várias acusações de funcionários fantasmas, o ex-militar e professor, ao falar de sua reeleição, fez muito mais do que um desabafo.

Foi a primeira sessão pós–eleições do dia 02 de outubro. Marcelo destacou que não foi assistencialista nestes 46 meses e para a reeleição não pagou combustível em troca de foto no vidro de carro e demais “apoios”, não tinha veículo com caixa de som e, no dia da eleição, não jogou santinho no chão e nem fez boca de urna. O ponto alto de sua indignação foi quando falou de candidatos mentirosos que teriam custeado gasolina em troca de apoio, aos 15 min e 35 segundos do vídeo, e enfatizou que pelo menos metade dos políticos brasileiros são desonestos.

“Confesso que concorri ao cargo de vereador novamente com insegurança (...), pois, entre nove assessores, apenas dois eu já conhecia nesta equipe extremamente técnica. Passei a maior parte do meu mandato dentro do gabinete. Fiscalizei mais de 100 milhões de reais em contratos e parabenizo o meu grupo. E quando vamos para uma eleição em que se bate nas casas das pessoas e não fazemos a elas nenhum favor pessoal, como você pede voto? Comentava que vereador faz lei e fiscaliza. Os colegas dizendo que vereador constrói creche, que faz hospital, que constrói quilômetros de asfalto, que pode dar sexta básica, dar remédio e levar gente para hospital (...) e isso me deixou inseguro (...) será que essa receita dará certo (...) estou feliz que provei que fazer política da forma correta dá certo (...) e descobri que tinha candidato com vários perfurades e que pagava [combustível] para colocarem perfurade (...) e o candidato ‘não, eu não tô pagando’, mentiroso!”, bradou o vereador.

“Essas pessoas estão destruindo o País, usando a máquina pública para se eleger e essas pessoas vão à Igreja! Tive mais de 2 mil votos e sem comprar ninguém. Fazer política séria é muito difícil. Até quando vão agir de forma errada e dizendo ‘não, eu não faço isso’... faz sim! É difícil as pessoas assumirem que não são boas e que não são do bem (...) reflitam (...) peço a Deus que ilumine aqueles que virão e que hajam da forma mais correta possível que não fiquem por aí frequentando igreja e falando que são santos (...) mais de 50% das pessoas que estão no meio político são psicopatas, pessoas desonestas falando de honestidade, que ganham 20% ou 30% em um contrato fraudulento, e eu vi isso, e o cara no outro dia falando em honestidade e indo na igreja.”

Professor e fundador da ONG Em Ação, que reúne gratuitamente alunos para fazerem cursinho pré-vestibular, Marcelo Guilherme foi eleito pela primeira vez em 2012 com 1.551 votos. “Fiz aquilo que considero o verdadeiro papel do vereador, que é legislar e fiscalizar as contas públicas. Proporcionalmente, foi uma campanha barata. Os cabos eleitorais apresentavam o nosso trabalho e diziam que a nossa posição não é ser assistencialista”, diz o professor, que foi o quinto mais votado entre os 21 concorrentes eleitos, com 2.190 votos, e de maior votação pelo partido REDE no Paraná.

Quanto a sua fiscalização do Executivo, o vereador lembra que seus requerimentos deixaram de ser aprovados na Câmara. Desde 2012, o vereador avalia as contas públicas e aponta possíveis erros, prática que passou a ser adotada pelo grupo de vereadores de oposição, e que perdeu a eleição a prefeito, somente a partir de 2016, quando houve um raxa na base de apoio à Prefeitura. “Na política vale mais a articulação do que a coerência.”

“A política é movida a assistencialismo incluindo favorecimento aos eleitores para furarem fila na lista de consultas e exames nos postos de Saúde e hospitais e o mesmo nas creches. Uma das minhas propostas é um projeto lei que torna pública na internet a relação de espera. Digo que ficamos em dúvida sobre a campanha, até porque a maioria dos nossos projetos e pedidos de obras foram negados diante da nossa forte fiscalização que fizemos. Em 2015, apresentamos projeto lei para uma nova escola no Quississana que ocuparia um terreno cedido pela Prefeitura e com toda a aprovação de recursos pronta, incluindo a articulação com o governo federal e o prefeito [Luiz Setim] vetou o projeto. A Câmara derrubou o veto do prefeito. Mas a proposta emperrou no trabalho técnico e demorado da Prefeitura”, lamenta o vereador.

Confira o discurso de professor Marcelo na Câmara de Vereadores e a queixa em relação ao assistencialismo (aos 15 min e 35 segundos):
https://www.youtube.com/watch?v=GLb8-T8UvwM


Prefeito eleito
Sobre a campanha do seu partido Rede Sustentabilidade, com o empresário e candidato Mauro Knorst, Marcelo avaliou que em uma eleição mais curta não foi possível colocar a legenda como a principal opção. “Quanto ao prefeito eleito Toninho da Farmácia, se ele conseguir impor a personalidade dele no governo, sem certas influências, fará um bom mandato, apesar das dificuldades com a crise econômica brasileira. Sobre o candidato Sylvio Monteiro, ele perdeu a eleição, mas teve bastante voto, e acredito que retorne como candidato a prefeito daqui a quatro anos”, concluiu professor Marcelo.

PautaSJP.com

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