Argus nega que produza com carne estragada ou adulterada

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Atualizado 02/04/2017

As apurações por dois anos da Polícia Federal, reveladas na última sexta (17) pelo órgão, deixaram os consumidores de todo o Brasil apreensivos, pois, três, dos quatro maiores grupos frigoríficos do país, estão entre os mais de 30 acusados. O trabalho, que apura propina aos fiscais do Ministério da Agricultura em troca de selos de inspeção que aprovavam lotes de carne vencidos e adulterados, além de outras medidas irregulares denunciadas pela PF, se concentrou principalmente no Paraná, por causa do grande número de fiscais do Estado denunciados. Entre as marcas paranaenses, está a Argus, que funciona em São José dos Pinhais no bairro São Marcos e é de propriedade do ex-prefeito de três mandatos (1997/2004-2013/2016), Luiz Carlos Setim.

Por meio de nota, a empresa são-joseense, também com unidade de processamento em Ponta Grossa, divulgou comunicado em que nega irregularidades e diz “obedecer rigorosamente as observações sanitárias e de qualidade do Ministério da Agricultura e que se solidariza com a ação da PF, entendendo que a mesma (operação) trará benefícios significativos ao setor, através de uma competitividade justa e adequada entre seus players”, defende-se a marca.

O matadouro/frigorífico Argus foi fundado em 1953, sendo adquirido pelo ex-prefeito em 1981, no abate de animais, fabricação de farinha de carne e ossos e sebo clarificado, atendendo a centenas de pontos de varejo nos Campos Gerais, Curitiba e Região Metropolitana e Litoral.

De acordo com a Polícia Federal, depois do afastamento de mais de 30 agentes do Ministério da Agricultura, as investigações continuarão para detalhar quais os frigoríficos que conseguiram vender carne com prazo vencido e que adquiriram os selos de garantia do Ministério da Agricultura, que aplicaram ácido em excesso como forma de mascarar a qualidade dos produtos, que utilizaram de outros componentes, como frango, para aumentar a quantidade nas embalagens com carne bovina, entre outras irregularidades criminosas.


Vazamento de amônia
Esta foi a segunda informação negativa à empresa em menos de um ano. Em julho passado, de noite, um vazamento de amônia mobilizou diversas equipes do Corpo de Bombeiros quando um tanque teve a pressão aumentada e acionou a válvula de segurança liberando o excesso da substância no ar. Equipes da empresa afirmaram que houve vazamento pelo período de 15 minutos. Uma nuvem branca de amônia foi arrastada pelo vento em sentido à Planta São Marcos. Para garantir que moradores e funcionários não fossem intoxicados, equipes de socorro pediram para que a população que se sentiu incomodada com o gás fosse até as unidades de saúde próximas para terem uma avaliação médica. A amônia tem o cheiro muito mais forte que o de acetona e traz sérios riscos à saúde. A inalação do gás em grandes concentrações pode inibir os reflexos e provocar a morte.

Íntegra da nota sobre acusação da PF
O Grupo Argus, detentor da marca Frigorífico Argus, empresa atuante ha 63 anos no mercado frigorífico, vem a público manifestar-se à respeito da recente operação liderada pela Superintendência da Polícia Federal do Paraná, denominada "CARNE FRACA", nas considerações a seguir:
a) Que o Grupo Argus obedece rigorosamente as observações sanitárias e de qualidade determinadas pelo SIF-Sistema de Inspeção Federal, do Ministério da Agricultura, da SEAB - Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná e Vigilância Sanitária, além dos demais órgãos reguladores que tem como premissa fiscalizar e garantir a qualidade plena dos produtos oferecidos ao mercado consumidor;
b) Que o Grupo Argus sustenta de maneira irrestrita instalações plenamente administradas pelo SIF e seus técnicos, sem interferir em qualquer hipótese em suas diligências, tampouco solicitando quaisquer favorecimentos e/ou outras ilicitudes em detrimento da qualidade de seus produtos, tendo o mesmo SIF total autonomia para fiscalizar sua planta industrial.
c) Que o Grupo Argus no âmbito da operação ensejada, colocou-se, a partir de todo seu corpo diretor e administrativo, inteiramente a disposição das autoridades policiais, atendendo irrestritamente e imediatamente todas as suas solicitações e mandados, ressaltando também a cordialidade, o profissionalismo e a lisura com que os agentes policiais conduziram a operação nas dependências da empresa;
d) Que o Grupo Argus se solidariza com a ação, informando que os questionamentos em virtude das práticas ilícitas direcionadas pela operação em curso não faz parte de sua política, código de valores e modus operandi, repudiando a mesma conduta por parte de quem quer que seja, entendendo que a mesma (operação) trará benefícios significativos ao setor, através de uma competitividade justa e adequada entre seus players;
e) Que o Grupo Argus ostenta uma história de 63 anos de relacionamento provado, aprovado e atestado pelo mercado qual participa ativamente, sendo este seu maior certificado de idoneidade, e que tem acima de qualquer interesse comercial, o respeito a seus clientes, fornecedores, parceiros e funcionários, oferecendo sempre produtos certificados nos mais rigorosos padrões de qualidade e em obediência a lei, inclusive servindo de modelo para outras plantas similares do país e do exterior;
Desta forma, o Grupo Argus declara estar a inteira disposição da justiça para todo o qualquer esclarecimento que se fizer necessário, no melhor espírito daqueles que nada tem a esconder, e daqueles que torcem para um país mais justo, íntegro e honesto.
São José dos Pinhais (PR), 17 de Março de 2017.

Pós inspeção Ministério da Agricultura
Depois de fiscalização ocorrida após a Operação Carne Fraca, o Ministério da Agricultura auditou o Frigorífico Argus e permitiu o retorno de comercialização, retirando-o do Regime Especial de Fiscalização (REF), no qual toda a produção é checada pelos fiscais antes de deixar o estabelecimento.

PautaSJP.com

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