Combater os efeitos da crise

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Por Adelino Venturi

A crise do setor habitacional nos Estados Unidos se espalha pelo mundo, com rapidez. As bolsas de valores registram quedas históricas e as economias entram em ritmo de recessão. No Brasil, felizmente, ainda não se sente com intensidade os efeitos dessa crise, que é de grande proporção.
Para nós que atuamos na área da habitação, no segmento do comércio imobiliário, temos uma visão mais próxima do fenômeno. Essa visão é, ainda, positiva. O setor habitacional se mantém ativo e os negócios imobiliários se desenvolvem de maneira normal.
As lideranças do nosso setor depositam grande confiança na capacidade do governo de gerenciar a crise. Devemos ressaltar que, até o momento, o governo e o setor de coordenação da política monetária, o Banco Central (BC), mantém-se atentos. As medidas são providenciais e inteligentes.
Temos de destacar a competência do presidente do BC, Henrique Meirelles, ao lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega. E, de maneira especial, registrar que ao dar aval à sua equipe para gerenciar os efeitos da crise, o presidente Lula demonstra que tem visão de governante e de estadista.
Para demonstrar que de fato está atento e disposto a tomar as medidas necessárias para defender os interesses na área do desenvolvimento econômico e social do país, o governo anunciou ontem que vai implementar um programa de capital de giro para o setor da construção civil. O anúncio oficial será feito hoje (29). De acordo com as informações, será um montante extraordinário, de R$ 3 bilhões, de uma linha especial da Caixa Econômica Federal.
Anteontem, o ministro Guido Mantega também tranqüilizou a todos afirmando que a resolução da crise, em nível mundial, exige um aporte de investimentos ao redor de US$ 13 trilhões, quantia que os países mais afetados, os Estados Unidos, principalmente, além dos europeus, têm disponibilidade para aplicar na manutenção do crédito para os empreendedores em todas as áreas, além do crédito para os consumidores.
É lógico que temos de nos preocupar e de alguma forma contribuir neste esforço racionalizando custos e descartando supérfluos. Não há, porém, motivo para pânico. Consideramos que o governo mantém uma visão estratégica e muito afinada com a realidade dessa crise.
Afinal, o investimento que será anunciado hoje vai para um dos setores que mais movimentam a economia interna, a construção civil. Trata-se de um setor que também emprega grande quantidade de mão-de-obra com pouca qualificação.
A propósito, a Câmara Setorial Imobiliária da Aciap realiza amanhã mais uma de suas reuniões de trabalho, desta vez com importante palestra sobre empreendedorismo, com Nelson Rocha, consultor do Sebrae, e Márcio Vieira, superintendente da Faciap. Vamos todos ouvir com atenção as análises e explicações desses companheiros, que são especialistas, antevendo um cenário de grande utilidade para a formação de opinião em nosso meio profissional, o setor imobiliário.


Adelino Venturi é professor, empresário e coordenador da Câmara Setorial Imobiliária da Associação Comercial, Industrial, Agrícola e de Prestação de Serviço (Aciap), de São José dos Pinhais

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