Colonização no Taquaral representou uma segunda fase de colonos em SJP


No dia em que se comemora 329 anos de São José dos Pinhais, conheça mais sobre a história dos italianos, poloneses e ucranianos nas localidades de Campina do Taquaral ao Marcelino

Blog Single José Zanchetta, presidente da Acamp (Circuito Rural Taquaral), com a historiadora Maria Angélica Marochi e o livro Imigrantes
A data de 19 de março, dia do padroeiro São José, que representa as comemorações de 329 anos de São José dos Pinhais, também mostra a importância da formação da cultura são-joseense pelos italianos, poloneses e ucranianos, enraizada pelos índios, portugueses e negros. A tríade étnica, no desenvolvimento do Brasil, teve a forte presença dos italianos, poloneses e ucanianos a partir do final do século 19 e início do século seguinte. A primeira leva oficial de imigrantes que chegou em 1878 foi instalada na Colônia Murici, Colônia Zacarias, Colônia Inspetor Carvalho e Colônia Santa Maria do Novo Tyrol. Mas, uma segunda ocupação nas terras são-joseenses foi espontânea e ocorreu em outras áreas rurais, como no Taquaral.

Localizada na parte oeste de São José dos Pinhais, o Taquaral compreende colônias ítalo-polonesas como Colônia Zacarias, Campina do Taquaral, Campo Largo da Roseira, Cotia, Cachoeira, Campestre da Faxina e Faxina, e a Colônia Marcelino, com os ucranianos e poloneses.

Segundo a historiadora e escritora Maria Angélica Marochi, a ocupação das terras nestas localidades aconteceu por escolha dos colonos. “Em 1690, foi inaugurada a Capela do Senhor Bom Jesus dos Perdões e oficialmente criam-se os documentos de nascimento e óbito de cidadãos de São José dos Pinhais. No século 19, em 1878, houve a implantação das colônias oficiais em São José como Murici, em que as terras eram doadas pelo governo e sem possibilidade de se instalarem em outros lugares. Até por uma questão de crescimento das famílias, as novas gerações de italianos e poloneses foram ocupando e se expandindo para o Taquaral”, explica a escritora.

Há cerca de dez anos, foi criada uma instituição para valorizar o Taquaral, a Associação de Produtores Rurais, Artesãos e Empreendedores de Turismo da Campina do Taquaral e Região (Acamp). “O Turismo Rural está diretamente ligado à valorização das culturas italianas, polonesas e ucranianas no chamado Circuito Rural Taquaral, que vai da Colônia Zacarias até a Colônia Marcelino”, comenta José Zanchetta, presidente da Acamp, e que possui um museu em sua cantina italiana, para mostrar aos clientes objetos e utensílios que pertenceram a seus antepassados, oriundos da Região do Veneto, província de Treviso, cidade de Breda Di Piave.

Mônica Ienkot é descendente de poloneses e tem orgulho da cultura polonesa desde criança. “Meu pai, Martinho Ienkot, e demais familiares, sempre fizeram questão de falar e demonstrar a tradição da Polônia, seja na gastronomia, nos costumes ou religião. Acredito que morar no Marcelino é muito gratificante e ainda mais poder conviver com outras culturas como italianos e ucranianos”, fala Mônica Ienkot, que tem comércio associado à Acamp.

Deonizio Clemente Starepravo é descendente de ucranianos que vieram para São José dos Pinhais da cidade de Ternopil, na época da Primeira Grande Guerra, e se instalaram no Castelhanos. Residente no Marcelino, é proprietário da Lanchonete Horilka Z Pertzen, associada à Acamp e especializada em bebidas artesanais.

“Além da Agricultura, e até por terem construído as próprias casas, nossos avós trabalhavam com madeira, inclusive, levantaram a primeira igreja do Marcelino e toda em madeira. Até hoje, valorizamos o artesanato com as pêssankas, os bordados e as danças e a cultura em geral, mais a fé e a religião e o idioma, tanto que as missas são em português e ucraniano”, diz Deonizio Starepravo.



Quanto a ligação religiosa destas nações com os santos, e o aniversário do município no Dia de São José, Maria Angélica destaca a identidade cultural por meio das igrejas. “As comunidades religiosas transparecem as suas influências que trouxeram de seus países. Os imigrantes eram em sua maioria agricultores. Nas colônias são-joseenses que se estabelecem, eles constroem igrejas logo nos primeiros anos”, acrescenta a historiadora.


Circuito Taquaral - produtos e serviços da Acamp
A Associação de Produtores Rurais, Artesãos e Empreendedores de Turismo do Taquaral e Região (Acamp) reúne, em cerca de 25 km de distância, dezenas de empreendedores, entre segmentos de produção de uva, champignon e morango, artesanato, floricultura, gastronomia, pesqueiros, locação de campos de futebol e chácara para eventos.
São diversas atividades turísticas que formam o Circuito Rural Taquaral nas Colônias Zacarias, Marcelino, Campina do Taquaral, Campo Largo da Roseira, Cotia, Cachoeira, Campestre da Faxina e Faxina.
Regularmente, acontecem várias ações culturais como o Jantar Ítalo-Polonês, as caminhadas na Natureza do Taquaral e do Marcelino, apresentações campeiras de dança e também as tradicionais festas de igreja em toda região.

PautaSJP.com

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