Rodízio em Curitiba mostra importância da preservação em São José dos Pinhais


Cidades da Região Metropolitana, como São José dos Pinhais, onde está o Rio Miringuava, sofrem processo de favelização da área rural

Blog Single Rio Miringuava abastece rede são-joseense da Sanepar e ainda mais de 200 mil curitibanos
A grande parte dos recursos hídricos da Sanepar e que geram água para a Capital são provenientes das represas das bacias do Iraí e do Piraquara, mais o Rio Miringuava. Os aquíferos, tão importantes para Curitiba, estão em Campina Grande do Sul, Quatro Barras, Piraquara e São José dos Pinhais. Em um pensamento mais “papo reto”, sem a conservação da biodiversidade metropolitana, e proteção das florestas destas cidades, os curitibanos ficam com sede. O rodízio da Sanepar, desde março, por causa da falta de água em São José dos Pinhais, chegou até a bairros de Curitiba, como Santa Felicidade, a 41 kms de distância do Rio Miringuava.

Com uma população de mais de 1 milhão e 700 mil em Curitiba, e mais de 3 milhões de pessoas nos 28 municípios metropolitanos, são cerca de 5 milhões de habitantes. A estimativa é perto de 1 milhão de relógios de água instalados.

De acordo com o gerente de produção da Sanepar, Fabio Basso, existe um sistema integrado que fornece água da Represa do Passaúna, em Curitiba, para São José dos Pinhais, e o contrário, sendo do Miringuava para a Capital. “O Plano Diretor de Saneamento contempla obras até 2040. A barragem do Miringuava vai contribuir com a regularidade do abastecimento em curto e longo prazo, e amenizar a necessidade de rodízios. Devido às concentrações urbanas, há necessidade de buscar água cada vez mais longe”, diz Fabio Basso.


Turismo e água a 600 mil consumidores
A Mata Atlântica em São José dos Pinhais faz parte de um dos principais corredores de biodiversidade do Brasil. A região entre as BRs 376, sentido Estado de Santa Catarina, e 277, sentido Litoral do Paraná, tem despertado o interesse conservacionista de grandes instituições, empresas e estatais, que estudam as localidades como fator de manutenção dos recursos hídricos e a contra partida para quem protege é a possibilidade de desenvolvimento turístico intermunicipal, interestadual e internacional.

O Turismo como geração de renda e diminuição dos loteamentos irregulares e do processo de favelização da área rural, sendo da Colônia Murici com a Colônia Malhada, onde está o Rio Miringuava, até o Parque Nacional Guaricana (Serra do Mar), são temas de vários estudos quanto aos cuidados de fauna e flora, por meio de órgãos ambientais como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), entidade federal responsável pela implantação do Parque Nacional Guaricana. A porção são-joseense do parque, também formado em seus 49 mil hectares pelas cidades de Morretes e Guaratuba, é vizinha à nascente do Rio Miringuava. São 25 kms de percurso do Rio Miringuava até desaguar no Rio Iguaçu.

A Sanepar pretende concluir em 2020 as obras da Bacia do Miringuava para a inundação da área do Rio Miringuava em 2021, e a ampliação de 100% do abastecimento de água potável para Curitiba, com aumento da rede de distribuição para até mais de 600 mil pessoas. Sendo para consumo humano, a estatal tem feito parcerias com agricultores para que os meios tradicionais de produção sejam mudados para cultivo sem agrotóxico.

Antes da inundação, haverá corte e limpeza de sedimentos de milhares de árvores e retiradas de animais silvestres e outras relocações como de colmeias de abelhas. Como contrapartida na adesão de uma agricultura orgânica, existem proposições de possível liberação de náutica não motorizada ao Turismo, como ocorre na Represa do Passaúna, em Curitiba.


Rio Miringuava limpo e podre
A Estação de Tratamento de Água (ETA) da Sanepar no Bairro Barro Preto bombeia água do Rio Miringuava na região da Colônia Murici na parte limpa dos leitos. Mas, depois, quando o rio passa ao lado do Bairro São Marcos, o rio fica podre com o esgoto irregular e lixo acumulado e segue pela área rural pelas localidades da Zaniolo e Campina do Taquaral.


Sítio ficará embaixo da água
O Sítio Tatutoka é uma área particular preservada na Colônia Murici, no bairro Avencal, e cortada pelo Rio Miringuava. O uso é para o lazer, mas de forma sustentável, pois a família manteve a mata nativa que proporciona água, xaxim, as araucárias, canelas, erva mate e quase trinta mamíferos já identificados, como jaguatiricas e tatus. Dos 28 hectares do sítio, 20 hectares serão inundados, incluindo uma linda cachoeira de quase dois metros que ficará submersa com a formação da Bacia do Miringuava.

“A desapropriação da maior parte do sítio para ampliar o abastecimento de água potável é uma questão prevista em lei, mas a nossa maior preocupação, como proprietários, é como será a relocação de algumas espécies de fauna e flora. Por isso, estamos em contato com Sanepar e Ibama para acompanhar e entender o que será possível relocar”, almeja Marcos Kunitz.

Como outros donos que receberão as indenizações, Marcos tem conversado com equipes da estatal que apontam que, a Tatutoka, e outras mais de 100 chácaras ao longo do Rio Miringuava e região, depois do alagamento, ficarão inseridas em um ambiente 20% a 30% mais úmido nos próximos anos.


Secretaria de Meio Ambiente reconhece os perigos
O secretário de Meio Ambiente de São José dos Pinhais, Ahirton Sdroieski Junior, reconhece os perigos do aumento populacional nas áreas rurais e prejuízos na captação de água. “Para a Natureza, não faz diferença se um local é particular, da Prefeitura, do Estado ou Federal, sendo importantíssima a preservação, mas, no caso das políticas públicas, a integração do que é privado com os governos e as entidades é fundamental para que busquemos soluções em conjunto”, enfatiza Ahirton Sdroieski.

PautaSJP.com

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