Crise e mercado interno

Blog Single
Adelino Venturi*

A maturidade do Brasil diante da crise financeira considerada a maior dos tempos depois da segunda guerra mundial é, neste momento, a grata surpresa para todos nós que atuamos como empresários no país.
Em outros países – como o Japão que anunciou uma recessão pelo menos até 2010 – a situação é precária. No Brasil, porém, ainda vivemos em, um clima de otimismo, porque a nossa situação econômica é boa, bem montada, bem estruturada.
Isto não significa que devemos desconsiderar a crise.
Ao contrário, temos de fazer da crise um elemento de motivação para novos empreendimentos ou para que possamos manter nossas atividades em ritmo normal.
Os especialistas informam que o Brasil vai ser atingido principalmente no campo do comércio exterior. É natural, com a desaceleração e/ou recessão nos países tradicionalmente importadores de produtos brasileiros, reduz-se, automaticamente, a nossa atividade produtiva. Reduz-se, obviamente, o espaço de comercialização e de prestação de serviços.
É importante considerar, porém, que podemos fazer desse limão azedo uma bela limonada adocicada com bom senso e grande talento.
O nosso país possui um já grande e bem estruturado mercado interno.
Com uma população economicamente ativa crescente, podemos manter boas relações de negócios em todas as áreas.
É o caso, portanto, da nossa área específica: o mercado imobiliário.
Não é novidade, que o Brasil tem uma defasagem ao redor de 12 milhões de moradias. Este é o momento de se reduzir essa defasagem.
Neste momento, o governo federal e os governos de São Paulo e Minas Gerais realizam aportes financeiros de grande monta em setores da economia como a construção civil e no setor automotivo.
No Paraná, infelizmente, não há novidades nesse sentido.
Nós empresários do ramo imobiliário aguardamos pela mudança de atitude.
Tempos um estado moderno, competente e com potencial econômico entre os melhores e maiores do país. Assim, temos as condições adequadas para fazer frente aos efeitos da crise pela maneira correta: trabalhando.
Nós, paranaenses, não temos por tradição o exemplo do avestruz ou o péssimo hábito da lamentação, da crítica destrutiva, do quanto pior, melhor.
A nossa tradição é de trabalho organizado.
Nosso empresariado não é do tipo que foge dos desafios.
É necessário, porém, que haja a devida convergência de todos, principalmente do governo, no sentido da unidade em torno de metas e objetivos concretos.
Se há crise, vamos enfrentá-la com as armas que possuímos: a fé e o trabalho organizado da nossa gente, nesta terra abençoada, maravilhosa, nesta terra de todas as gentes.

*Adelino Venturi é professor, empresário e coordenador da Câmara Setorial Imobiliária da Associação Comercial, Industrial, Agrícola e de Prestação de Serviço (Aciap), de São José dos Pinhais

Compartilhe esta notícia no Facebook: