Escuta telefônica em São José dos Pinhais é realizada há mais de um ano 12-Dec-08

Guardas municipais contam que foi dado um alerta para cuidar com o que se falava


Guardas municipais contam que foi dado um alerta para cuidar com o que se falava

A polêmica dos grampos realizados na Secretaria Municipal de Segurança de São José dos Pinhais e no Departamento de Trânsito da cidade tem se agravado. Guardas municipais afirmam que existe uma forte perseguição pessoal e que a escuta telefônica, ao contrário do que dizem as autoridades, existe há mais de um ano e não há apenas seis meses. Dentre as atitudes de assédio moral, eles também contam que até um perfil falso no Orkut foi criado para angariar dados que pudessem comprometê-los.
Willian César de Oliveira, guarda municipal desde que a Guarda foi criada, há quase três anos, conta que sempre se reivindicou a instalação do cartão-ponto para que as horas extras de trabalho fossem devidamente pagas, mas até hoje isto não foi feito. “Por isso há tantos processos que requerem o pagamento das horas que trabalhamos a mais, mas eles só pagam o que é da vontade deles”, disse Oliveira. Ainda segundo o guarda, era comum Ariovaldo Gouveia Sobrinho, secretário municipal de Segurança, remeter-se aos guardas com atitudes coercivas, como xingamentos e ameaças, gerando humilhação pública. Até o estágio probatório era usado como instrumento de coerção, fazendo com que seus subordinados temessem perder o emprego.
Samarone Bueno, guarda municipal atuante mesmo tempo que Oliveira, confirma as informações do colega e conta que ambos são vítimas de perseguições pessoais. Segundo ele, aqueles que contrariavam os ideais de Gouveia eram segregados e colocados em postos de trabalho longe do centro. “Além de nos isolar, ele fazia nós e mais alguns colegas perseguidos ficarmos de plantão, sem farda, na portaria da sede da Guarda Municipal”, relata. Também houve ordenações para devolução de viatura. “Por pelo menos três vezes, quando eu estava na direção da viatura, ele (Gouveia) ordenou, através dos seus subordinados, que eu passasse a função para outro colega”, diz Oliveira.
Para aproximadamente 12 guardas, incluindo Oliveira e Bueno, foram solicitados exames psicológicos. Mesmo sem motivos e sem abrir alguma sindicância interna, a intenção era provar que eles não tinham capacidade para atuar na área. No laudo psicológico emitido pela psicóloga contratada pela prefeitura foi constatada a inaptidão dos servidores, o que foi contrariado por novos laudos feitos por outros profissionais particulares buscados pelos guardas.
Como se não bastasse o tratamento diferenciado, o diretor de Trânsito, João Cavalim de Lima, criou um perfil feminino falso no Orkut para “arranjar” motivos que os depreciassem e colaborassem com a retirada dos guardas do grupo. Eles também ressaltam que as escutas telefônicas eram praticadas a mais de um ano. A constatação se dá pelo aviso que o chefe de Divisão de Comunicação e Monitoramento, Giles Amboni, fez aos servidores. “Ele disse para tomarmos cuidado com o que falávamos, pois tudo estava sendo gravado”, conta Oliveira.
Todos os acontecimentos foram levados ao conhecimento do prefeito Leopoldo Meyer pelos próprios guardas, que, depois de diversas tentativas frustradas, conseguiram se reunir com Meyer. Eles não só relataram os fatos como os documentaram, mas a situação não teve solução. Segundo Bueno, “dias depois da reunião com o prefeito, a perseguição piorou”.
Hoje, Willian Oliveira e Samarone Bueno encontram-se afastados da Guarda Municipal. Na opinião deles, Gouveia, Cavalim e Amboni os tinham como uma ameaça e, por não conseguirem motivos para os exonerarem dos cargos, os afastaram por 90 dias. Bueno, afastado no dia 26 de agosto, já deveria ter retomado suas atividades, mas teve seu afastamento renovado por mais 90 dias. Já Oliveira teve suas atividades paralisadas no dia 15 de setembro e, prestes a vencer seu afastamento, teme que aconteça com ele o mesmo que aconteceu com Bueno.

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