Guarda municipal conta bastidores do grampo telefônico ilegal na Secretaria de Segurança 15-Dec-08

Ministério Público vai se manifestar quando concluir investigações


Ministério Público vai se manifestar quando concluir investigações

O guarda municipal Willian de Oliveira foi um dos participantes de seminário sobre o Estatuto do Servidor Público, realizado na Câmara de Vereadores no sábado (13), promovido pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de São José dos Pinhais (Sinsep). A programação do encontro tinha entre os temas, o assédio moral, que teria sido a causa do escândalo, a respeito de escutas telefônicas irregulares na Secretaria de Segurança. Um arquivo com as ligações foi encaminhado sexta-feira (05), via Conselho Comunitário de Segurança (Conseg), para o Ministério Público, que vai se pronunciar somente quando concluir a investigação dos fatos.
Ainda na sexta-feira, o PautaSJP.com foi o primeiro canal de comunicação a escutar parte do grampo telefônico, e divulgar que funcionários da secretaria tinham em mãos, várias horas de gravação de diálogos profissionais e particulares, realizados há pelo menos um mês, nos setores de administração, Engenharia de Tráfego, Guarda Municipal e Departamento Municipal de Trânsito (Demutran).
Com exclusividade para o site, o guarda municipal Willian de Oliveira, relatou que as gravações telefônicas sem autorização dos funcionários comissionados e servidores, e sem o conhecimento da Justiça, também incluíam a filmagem dos trabalhos. “O chefe de Divisão de Comunicação e Monitoramento, Giles Amboni, há um ano e meio, instalou câmeras de vídeo atrás das estações de operações de rádio da Guarda Municipal, para filmar os guardas trabalhando. Na época, ele dizia para nós que, além das câmeras, os telefones eram gravados para o secretário Ariovaldo Gouveia acompanhar o nosso trabalho”, contou William, que acrescentou, nunca ter assinado qualquer autorização para ser filmado ou ter suas ligações gravadas.
Sobre como as escutas telefônicas vieram ao conhecimento dos funcionários da secretaria, Willian disse que na sexta-feira, Giles Amboni deixou o computador ligado e saiu da sala, e alguém aproveitou o momento para copiar um dos arquivos, com 30 mega bytes de dezenas de diálogos. “As gravações foram repassadas para diversos funcionários e alguns procuraram o Conseg para denunciar o grampo ilegal, porque a partir daquele momento, existiam provas”, falou o guarda municipal.
Willian também contou que após nota oficial encaminhada para a imprensa, na segunda-feira (08), à noite - quando Prefeitura aceitou pedido de exoneração de Giles Amboni, do secretário Ariovaldo Gouveia, e do diretor de trânsito João Cavalim de Lima -, na terça-feira (06), Giles retirou dois processadores de arquivos de computador (hd). “Era de manhã quando eu vi o Giles mexendo no computador e dois hds em cima da mesa”, revelou o guarda, que está de licença. “Eu e outros desafetos do secretário Gouveia fomos afastados em exames psicológicos realizados para nos prejudicar”, se queixou Willian.

Servidor quer justiça contra os culpados
Um guarda municipal, que preferiu se manter anônimo, quando trabalhou no atendimento telefônico 153, tinha conhecimento que estava sendo gravado, mas não sabia dos grampos nos ramais gerais da secretaria. “No caso do telefone de atendimento a comunidade, e o rádio de comunicação, é certo que sejamos gravados, mas porque isso ocorreu nos telefones da secretaria?”, questionou o guarda.
Outro funcionário da Prefeitura, que não quis se identificar, espera da Justiça a punição dos culpados. “O que houve foi algo gravíssimo, que é crime, e não deve ter sido feito por apenas uma pessoa”, falou o servidor.

Investigação sob sigilo
As investigações sobre o caso são de responsabilidade do promotor Marco Aurélio Oliveira São Leão. “Os trabalhos seguem em segredo de Justiça, para que gerem bons resultados, e o Ministério Público fará um pronunciamento futuramente, quando as investigações forem concluídas”, avisou o promotor.

Escândalo dá margem a outras polêmicas
A questão de grampo na Secretaria de Segurança dá margem a outras polêmicas. Além de denúncia no Ministério Público Criminal, dezenas de processos cíveis por invasão de privacidade deverão atingir a Prefeitura Municipal, sendo representados por funcionários da secretaria e diferentes pessoas que receberam ligações ou entraram em contato com os departamentos da secretaria.
Uma das ligações do arquivo encaminhado para o Ministério Público trata do dia 28 de novembro, período em que a equipe de transição do prefeito eleito Ivan Rodrigues, havia iniciado os trabalhos em uma sala da secretaria, cedida pela atual gestão.

[PautaSJP.com]