Adotar exige habilitação especial para pais

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Uma recente pesquisa realizada pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) levantou uma breve percepção da população brasileira sobre a adoção. Dos 1.562 entrevistados, 30% admitiram não ter conhecimento sobre a realidade da adoção no país. “Muitos pais não querem um filho, querem uma criança para cuidar, para ajudar, ou ainda para resolver problemas conjugais”, conta a psicóloga Adriana Kosdra Rotta, que há 12 anos trabalha na Vara da Infância e da Juventude de São José dos Pinhais. “Por esta razão, são essenciais a avaliação e a habilitação daqueles interessados em adotar.”

Quando há o interesse, a pessoa – não necessariamente um casal – precisa procurar a Vara da Infância de sua cidade. Os documentos apresentados serão analisados pelo juiz e promotor e posteriormente enviados para a psicóloga. Esta iniciará o processo de avaliação dos pretendentes a pais. “Recebemos pedidos de muitos casais, mas também existem solteiros, estrangeiros e casais homoafetivos (homossexuais)”, revela Adriana.

Só depois de muitas entrevistas, análises e conversas, Adriana permite a habilitação para os futuros pais, que ainda precisa ser autorizada pelo juiz responsável. “Não sem antes eles participarem de um encontro repleto de troca de experiências e informações de muita valia para a convivência com o filho adotado.”


ENCONTRO AJUDA A CONHECER O PROCESSO E O DIA A DIA DA ADOÇÃO
Uma reunião bimestral, da qual participam pais e futuros pais adotivos. “O encontro é muito mais do que um curso, é uma troca de experiências entre quem já vive o processo de adoção há anos e quem está prestes ou acabou de entrar nele”, explica o advogado José Carlos Silva, coordenador dos encontros e pai de duas crianças adotadas.

“Quando as meninas chegaram, nos deparamos com diversas situações inusitadas que nos deixavam, muitas vezes, sem ter certeza de como agir”, conta Silva. Segundo ele, discussões e encontros com outros pais adotivos, inclusive de outros estados, ajudaram a definir as melhores atitudes com os filhos. “Em contato com alguns grupos, conhecemos projetos que indicavam estes encontros a quem esperava uma criança para adotar e achamos muito interessante.”

Silva levou a idéia do projeto à Vara da Infância de São José dos Pinhais e lá encontrou parceiros. “Hoje, o curso é fundamental para a habilitação dos pais no município”, confirma Adriana. De acordo com ela, os resultados têm sido ótimos. “O encontro trata de situações do cotidiano, que fazem ou irão fazer parte da família com o novo filho. Experiências que, compartilhadas, podem ajudar na educação e adaptação da criança ao novo lar.”

“Quando me informaram que eu precisava participar dos encontros para estar habilitado a adotar, achei imposição demais. Mas depois me surpreendi”, revela o economista Edson Zampieri, uma das 89 pessoas que aguardam na fila da adoção em SJP. “Com os encontros, descobri nas histórias e experiências de outros pais que sempre há o que aprender”, diz Zampieri, que tem um filho biológico de 06 anos. “Descobri que não são apenas os pais que adotam uma criança. A criança também precisa aceitar e adotar os novos pais.”

[PautaSJP.com - texto e fotos: Mauren Lucrecia]

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