Com má largada de Barrichello, Button obtém vitória fácil na Austrália

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Fonte www.grandepremio.com.br

Por Victor Martins, de São Paulo

O passaporte para a alegria de Button começou quando as cinco luzes vermelhas se apagaram. Só faltou a Barrichello dar tranquinho no carro; Robert Kubica, atrás, teve de esforçar para desviar. No fim da reta, pelo lado interno da curva, Rubens, então sétimo colocado, viu-se fechado e tocado por Mark Webber. Ainda no traçado, tornou-se alvo de Heikki Kovalainen.

Se o enredo aparenta azar, é mentiroso. Rubens saiu com um pedaço da asa dianteira esquerda avariado, tanto que continuou na pista sem precisar trocar o limpa-trilhos. Aos outros envolvidos, o limbo: Kovalainen teve de abandonar a prova com a suspensão destruída, enquanto Webber teve de trocar a parte frontal. Outro que se envolveu na história foi Adrian Sutil, outro que se viu obrigado a ir aos pits para reparos.

Sem Barrichello, Button impôs-se diante do esplendor jovial de Sebastian Vettel e sua Red Bull, abrindo diferença de 4s rapidamente. O alemão engatou uma sequência de voltas rápidas, desgarrando de Felipe Massa.

Massa aproveitou-se da confusão alheia para pular do sexto para o terceiro posto. Mas a Ferrari vai ter de rever seus conceitos para que possa andar na frente do pelotão. A diferença para Brawn e Red Bull é gritante. Nem no ritmo da BMW, talvez, a F60 esteja, porque o atual vice-campeão mundial penou para manter-se à frente de Kubica. E certamente está em desvantagem em relação à Williams, que tem em Nico Rosberg um expoente de grandiosidade.

Rosberg brigou para lá e para cá, em qualquer lugar que estivesse. Seu melhor momento foi quando superou Kimi Raikkonen no início da prova. Por conta de um erro em seu primeiro pit, caiu muito. Por isso o sétimo lugar no fim das contas não refletiu sua atuação.

Mas até que a corrida terminasse, muita coisa aconteceu. O primeiro momento de emoção forte da temporada deu-se justamente com o companheiro de Rosberg, Kazuki Nakajima. A bela prova de recuperação que o japonês fazia, saindo de 11º para quarto, foi para a fossa quando passou por cima da zebra externa da curva 3. Catapultado, rodou e foi ao muro. O safety-car, com certa demora, foi acionado pela direção de prova.

Barrichello aproveitou o ensejo para trocar a asa dianteira e voltou em décimo, quase batendo nos boxes com Sébastien Buemi, que merece parágrafo à parte. Quem pouco merece algo é Giancarlo Fisichella, que passou a ter no currículo a proeza de errar a entrada na posição dos boxes da Force India. Um patife, em suma.

Como no começo da prova, a relargada viu Button desgarrar-se de Vettel e ter vida mansa. Mais atrás, Nelsinho Piquet, que, vá lá, até que mostrava certa evolução, jogou tudo para o ar ao perder o controle do carro no fim da reta principal e parar na brita. Num primeiro momento, imaginava-se que havia sido tocado por Rosberg, que já vinha para ultrapassá-lo para ocupar o quinto lugar da corrida. O piloto da Renault culpou os freios. Que não culpe a vida depois.

Momentaneamente o GP da Austrália seguiu em banho-maria até a 46ª volta. Foi quando Massa, então na terceira posição, heroica pelo carro ruim que a Ferrari lhe entregou, ficou lento na pista. O brasileiro conseguiu levá-lo aos boxes e deu sequência à maré de azar que tem no país-continente.

Após as últimas paradas nos pits, Vettel e Kubica, sem chance de brigar pela vitória, começaram confronto para ver quem seria o melhor do resto. O polonês vinha muito mais rápido porque tinha pneus em melhor estado. Na volta 56, após tanto pressionar, Kubica pôs por fora na curva 2 e parecia levar a posição. O alemão prolongou a freada. Houve o toque, e por conta dele Robert acabou atravessado. Com os carros despadaçados, os dois seguiram. Pensaram que tudo estava bem. Coitados. Quase concomitantemente, foram parar no muro. Kubica estancou; Vettel, com a suspensão dianteira esquerda absolutamente quebrada, teimou em continuar. Ainda completou uma volta naquele estado até parar de vez. Os dois, sim, entregaram de bandeja o ingresso do segundo lugar a Barrichello.

O safety-car retornou e permitiu abrir os olhos para quem era o terceiro colocado. Jarno Trulli, que havia largado dos pits por conta da desclassificação aplicada pelos comissários de prova. A Toyota estava com elementos de sua asa traseira flexíveis durante o treino classificatório de ontem. Na dele, conquistou um lugar no pódio — mais tarde retirado por ter ultrapassado Lewis Hamilton durante o período de safety-car. Trouxe junto o companheiro Timo Glock, que na mesma toada — com direito à rodada e bela disputa com Fernando Alonso — foi quarto. Em terceiro, depois da decisão dos comissários, Hamilton. Também de forma surpreendente, afinal a McLaren também fez uma caca de carro. Alonso, outro que pena com um carro deficiente, terminou em quinto, enquanto Trulli recebeu 25 segundos de punição e caiu para 12º.

A oitava posição coube a Buemi. Louve-se o suíço. Novato, o único do ano, achincalhado por muita gente por ser mais bem visto pelos dólares que agrega à Toro Rosso, não cometeu um erro sequer, suportou a pressão de Alonso durante boa parte da prova e não esmoreceu. Pode até ser que não faça mais nada no resto do ano. Ao menos deixou uma ótima impressão.
Para não terminar a corrida com o carro de segurança e a bandeira amarela acionada, deram a relargada simbolicamente na última volta. Button, que liderou de ponta a ponta, chegou à segunda vitória da carreira. Fez um discurso inflamado ainda no cockpit, via rádio, a Ross Brawn, seu chefe, que devolveu a série de gracejos e elogios. No Parque Fechado, a integração da equipe foi evidente. Jenson desceu do carro, cumprimentou efusivamente Barrichello e foi para sua galera. E se o que foi visto na Austrália for exemplo para o resto da temporada, a Brawn vai repetir esse ritual um punhado de vezes neste ano.

Final GP da Austrália - 58 voltas (307,574 km)
1.º - Jenson Button (ING/Brawn GP), 1h34min15s784
2.º - Rubens Barrichello (BRA/Brawn GP), a 0s807
3.º - Lewis Hamilton (ING/McLaren), a 2s914
4.º - Timo Glock (ALE/Toyota), a 4s435
5.º - Fernando Alonso (ESP/Renault), a 4s879
6.º - Nico Rosberg (ALE/Williams), a 5s722
7.º - Sebastien Buemi (SUI/Toro Rosso), 6s004
8.º - Sebastien Bourdais (FRA/Toro Rosso), a 6s298
9.º - Adrian Sutil (ALE/Force India), a 6s335
10.º - Nick Heidfeld (ALE/BMW Sauber), a 7s085
11.º - Giancarlo Fisichella (ITA/Force India), a 7s374
12.º - Jarno Trulli (ITA/Toyota), a 26s604
13.º - Mark Webber (AUS/Red Bull), a 1 volta
14.º - Sebastian Vettel (ALE/Red Bull), a 2 voltas
15.º - Robert Kubica (POL/BMW Sauber), a 3 voltas
16.º - Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), a 3 voltas

Não terminaram a prova:
Felipe Massa (BRA/Ferrari), volta 45, abandono
Nelsinho Piquet (BRA/Renault), volta 24, quebra
Kazuki Nakajima (JAP/Williams), volta 17, acidente
Heikki Kovalainen (FIN/McLaren), volta 1, acidente
Volta mais rápida:
Nico Rosberg (ALE/Williams), 1min27s706, na volta 48

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