O livro, o conhecimento

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Por Adelino Venturi

Deputado Antonio Palocci, do PT, execrado pela opinião pública, por justa causa, quando foi ministro da Fazenda, tenta se redimir utilizando sua larga experiência na vida pública para ilustrar áreas do conhecimento, em particular nos setores da educação e da cultura. Ele assinou artigo de opinião, recentemente, no site O Brasil que Lê, abordando um tema atualíssimo, de importância estrutural na formação das nossas crianças e jovens: o livro.

Para ser fiel às suas idéias, reproduzimos neste espaço o artigo em questão: “O papel dos livros”.

Eis uma ótima notícia: o hábito da leitura tem crescido de forma consistente no Brasil! Estudo recente, que tem sido divulgado pelas entidades ligadas ao livro, atesta que os índices de leitura dos brasileiros acima de 15 anos e com pelo menos três anos de escolaridade dobraram entre 2000 e 2008 no país. Naquele ano, essa parcela da população lia 1,8 livro por ano, enquanto que no ano passado esse número saltou para 3,7 livros anuais.

De acordo com essa pesquisa - Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro e aplicada pelo Ibope, com metodologia internacional referendada pela Unesco - o índice nacional de leitura (toda a população brasileira acima de cinco anos, incluindo os analfabetos) chegou, em 2008, a 4,7 livros lidos por habitante/ano. Embora se saiba que ainda há muito que avançar nesse tema, não se pode deixar de reconhecer que esta é, de fato, uma evolução importante.

Interessante notar que, ainda segundo esses estudos coordenados pelo Observatório do Livro e da Leitura, dois terços dos livros lidos no Brasil foram indicados pelas escolas.

Ao lado do trabalho dos professores, que têm um papel fundamental e são importantes influenciadores na formação dos novos leitores, em boa parte isso se deve ao enorme incentivo representado pelos programas sociais do livro e da leitura do governo.

Esses programas, que distribuíram 110 milhões de livros em 2000, têm previsão de distribuir, gratuitamente, 127 milhões de livros no ano em curso. Recentemente, o governo estendeu os programas para o ensino médio, a educação infantil, a educação de jovens e adultos e para as pessoas portadoras de necessidades especiais.

Por isso, os programas de aquisição de livros do Ministério da Educação do Brasil são reconhecidos e admirados no mundo inteiro.

Estudos internacionais abrangendo dezenas de países mostram a forte correlação existente entre a leitura e o acesso à informação e à educação com a taxa de crescimento de longo prazo desses países. Note-se que os resultados dessas pesquisas não se limitam a somente fazer uma defesa da educação em si mesma, o que, por sinal, já seria bastante meritório.

Mais do que isso, elas demonstram existir correlações claras entre esses fatores.

Também é interessante notar que alguns respeitados estudos, que recorreram a técnicas matemáticas mais sofisticadas para tentar compreender causas e efeitos de políticas públicas em diversas partes do planeta, acabaram por identificar a correlação que existe entre o maior acesso à informação e a melhora do nível de renda. No entanto, não se conseguiu demonstrar o mesmo efeito em sentido contrário.

Todos esses exemplos mostram que a questão do acesso a uma educação de qualidade e, particularmente, aos programas de livros e leitura no Brasil deve ser tratada como uma prioridade nacional. Os livros, que sabidamente têm um papel extraordinário no desenvolvimento do indivíduo, com reflexos tanto do ponto de vista pessoal como de sua própria dimensão cidadã, devem, portanto, ocupar lugar de destaque nos esforços para a construção de uma sociedade mais próspera e justa.

Entre os países desenvolvidos não há, por exemplo, um só caso de nação que tenha conseguido resolver os grandes problemas nacionais sem, antes, ter assegurado o pleno acesso de suas populações a boas escolas e aos livros. Isso inclui, naturalmente, a existência de uma rede de bibliotecas públicas de qualidade, e que seja considerada pelo Estado como um serviço público essencial ao bem-estar de sua população.

Já não há nenhuma dúvida que a qualidade do desenvolvimento social e econômico dos países e regiões será cada vez mais impactada pelos fatores educacionais e da informação. Na sociedade do conhecimento, esses fatores serão cada vez mais decisivos. Serão diferenciais importantes que transformarão vocações e capacidades em realizações duradouras para o benefício de toda a sociedade.

Adelino Venturi é professor, empresário e membro do Conselho Deliberativo da Associação Comercial, Industrial, Agrícola e de Prestação de Serviço (Aciap), de São José dos Pinhais

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