PautaSJP.com entrevistou Ricardo Chab

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Jornalista comentou das duas prisões no caso Centronic, do sucesso da Rádio Mais, e da sua nova bandeira social, de descriminalização das drogas

O jornalista Ricardo Chab há pouco mais de um ano é proprietário da Rádio Mais AM 1120, antiga Eldorado, que foi comprada do apresentador Ratinho Massa. Neste período, em poucos meses, o seu nome aumentou a audiência da rádio, até que as reportagens sobre seguranças da Centronic, que assassinaram um jovem pichador - veiculadas na Rádio Mais e na TV Record -, geraram processo da empresa de segurança. Em abril de 2008 Chab foi preso acusado de extorsão contra a Centronic, tendo o contrato com a Record cancelado. Após solto, nova acusação, de perseguição ao delegado do caso. Na sua casa a polícia apreendeu dois revólveres e foi preso por porte ilegal de arma, o que gerou mais três semanas de prisão. No começo do ano o seu programa intitulado Você na Mais voltou ao ar, das 8h às 10h, e a rádio se consolidou como terceiro lugar em audiência na região, segundo o Ibope. Ricardo Chab é paranaense natural de Santa Izabel do Ivaí. Jornalista formado pela Universidade Federal em 1983, com 30 anos de carreira no rádio. Foi deputado estadual por dois mandatos, e recentemente se formou em Direito na Faculdade Famec.

PautaSJP.com – São dois processos contra você. Um de extorsão movido pela Centronic e outro de porte ilegal de arma. Como estão esses processos?
Ricardo Chab – Sou acusado de tentar extorquir a Centronic, uma empresa que estava toda hora na mídia. Grampearam os telefones e não tem uma vez que eu fale em receber dinheiro da empresa. Eles queriam veicular comerciais e eu não aceitei pelo que acontecia com a empresa. Fiquei cinco dias preso, e passo a responder o processo em liberdade. Quando volto de viagem, surge uma mulher mascarada dizendo que eu ofereci 200 mil para ela falar mal do delegado responsável pelo caso. Foram à minha casa e apreenderam dois revólveres. Um deles, depois achamos o registro. Era uma arma de 1953, no nome do meu pai, e o outro revólver estava lá em casa há muitos anos, que eu comprei em loja e não tinha nota. Por causa disso fiquei 23 dias preso. Do processo das armas eu fui absolvido, agora falta ser absolvido do caso da Centronic. Então eu vou começar as minhas ações judiciais.

PautaSJP.com – Essas prisões balançaram a audiência da rádio?
Ricardo Chab – Aconteceu sim, mas conseguimos segurar e retomamos o crescimento, e passamos a ter mais o município de São José dos Pinhais como foco, uma cidade com cerca de 300 mil habitantes. Nós mudamos a sede da rádio do bairro São Cristovão para o centro, e ampliamos a cobertura de matérias locais, pois os moradores devem ser ouvidos.

PautaSJP.com – Algumas reportagens passaram a ser comentadas pelos vereadores. Vocês estão pautando os trabalhos da Câmara?
Ricardo Chab – Nós temos um repórter acompanhando as sessões. Tivemos um furo de reportagem que é o caso dos apartamentos fechados do Programa de Arrendamento Residencial, da Vila Zaniolo, que estão prontos à espera da entrega das chaves. O secretário de Habitação veio na rádio para comentar o assunto, o que fez com que os vereadores conhecessem e discutissem a pauta. Fazemos muitas entrevistas com autoridades e pessoas da comunidade. O caso do Hospital e Maternidade São José dos Pinhais, acredito que nenhum veículo cobriu tanto o assunto quanto nós.

PautaSJP.com – O rádio possui a instantaneidade, como a internet, e vocês investem nisso?
Ricardo Chab – O rádio você ouve onde estiver, até no celular. A televisão para transmitir precisa de um caminhão com antena, uma grande estrutura. No rádio é possível dar entrevista pelo orelhão. Agora vem a digitalização das emissoras AM, que dará uma grande qualidade de som para os ouvintes.

PautaSJP.com – Esta nova bandeira de descriminalização das drogas, o seu público não fica descontentes com o tema?
Ricardo Chab – Eu defendo que as drogas deve ser tratadas como questão de saúde pública. Não é uma posição fácil e tem muita gente que é contra. Mas não é uma “liberação geral”, e sim um controle social. Sem criminalizar mas descriminalizar. Temos traficante que visa lucro. A corrupção que investe no tráfico, e no final do processo o drogado. Quando os pais têm um filho drogado, eles vêem o filho cada vez mais entrando no mundo do crime para roubar e comprar droga. Por exemplo, um menino de 12 a 14 anos que fica nas esquinas tomando “tubão”, isso não é normal. Se a mãe leva ele em um posto de saúde ninguém faz nada. Com as drogas da mesma forma.

PautaSJP.com – O Estado sustentaria o consumo de drogas? Haveria participação da iniciativa privada?
Ricardo Chab – Existiria um controle social. A partir do cadastro começa o acompanhamento. O menino morador em tal rua, viciado em tal droga, consome tanto. Na primeira semana se libera uma pequena quantidade, para tratá-lo e diminuir a quantidade gradativamente. Uma política de Estado, sem participação da iniciativa privada. Mas com mudanças total da atual estrutura. Na Holanda, em que existe a descriminalização por exemplo, os programas anti-drogas deram tão certo, que os presídios estão com defasagem no número de presos, e os holandeses negociam para receber presidiários da Bélgica, país vizinho.

PautaSJP.com – São José dos Pinhais como está inserido no atendimento aos usuários?
Ricardo Chab – O Ministério Público divulgou que a cidade é uma das mais precárias no atendimento ao viciado. Eu ouvi promotores que são contra a descriminalização, mas muitos juízes são a favor. Mas é uma questão não só do Judiciário, mas dos médicos e pessoas que cuidam da saúde. Quanto mais viciados, mais lucro para os traficantes. Se cortarmos essa cadeia, e o viciado for buscar droga no posto de saúde, o traficante vai vender para quem? No posto de saúde o viciado teria acesso a psicólogos e tratamentos.

[PautaSJP.com]

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