Síndrome da Apnéia Obstrutiva do Sono

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Por Dr. Marcelo Tuleski*

A síndrome da apnéia obstrutiva do sono (SAOS) é caracterizada por episódios recorrentes de obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores durante o sono, causando redução ou cessação completa (apnéia) do fluxo aéreo apesar da manutenção dos esforços inspiratórios. Os eventos são freqüentemente finalizados por despertares. A prevalência da SAOS varia de acordo com a população estudada. Nos Estados Unidos é de 4% em homens e 2% em mulheres, entre indivíduos de 30 a 60 anos.

A causa da SAOS é a redução da passagem do ar pelas vias aéreas superiores (nariz e garganta). A passagem do ar por essa região é mantida aberta pelas estruturas ósseas e cartilaginosas que revestem o nariz e a garganta, associadas à ação dos músculos locais. Durante o sono há normalmente relaxamento muscular, contudo nos portadores da SAOS, em função do excesso de tecido mole ou relaxamento excessivo da musculatura local, ocorre, durante o sono, acentuada redução do calibre da via aérea provocando obstrução ao fluxo de ar, desencadeando os episódios apnéia. Tal evento promove a superficialização do sono ou mesmo o despertar do paciente.

O portador da SAOS apresenta diversos episódios de apnéia/hipopnéia durante a noite, consequentemente há fragmentação do sono, que perde a sua capacidade restauradora. A SAOS é um fator de risco para hipertensão arterial sistêmica e pode contribuir para a instalação e progressão de outras doenças cardiovasculares como arritmias, insuficiência coronariana, insuficiência cardíaca e acidente vascular encefálico. Também causa sonolência excessiva, associada aos déficits cognitivos (atenção, memória e função executiva), é responsável por acidentes automobilísticos, de trabalho e diminuição da capacidade profissional.

Os fatores de risco mais comuns para apnéia obstrutiva do sono são a obesidade, alterações de tamanho e posição da mandíbula e maxila, e anormalidades do tecido mole do nariz e da garganta (como exemplo temos as hipertrofias de amígdalas e de adenóide e os estreitamentos da cavidade nasal).

Os sintomas mais comuns da SAOS são o ronco, a sonolência excessiva e pausas respiratórias durante o sono observadas pelo companheiro (a). Distúrbios de concentração, atenção e memória são observados. Alterações de humor, tais como irritabilidade, depressão e ansiedade são encontradas. O ronco é um dos sinais característicos da SAOS. Assim, o médico ao deparar com o paciente que ronca deve ter sempre a preocupação de afastar ou confirmar tal diagnóstico, em função das graves conseqüências dessa entidade.

No entanto, a presença de ronco isoladamente não significa que o indivíduo seja portador da apnéia, sendo necessária confirmação com o exame de polissonografia. Esse exame mede diversas variáveis durante o sono (oxigenação, ronco, fluxo de ar, eletroencefalograma, eletrocardiograma, movimentos dos olhos, do tórax e dos membros inferiores), permitindo diagnosticar a presença e a gravidade da apnéia.

O tratamento da apnéia obstrutiva do sono inclui medidas comportamentais, como perda de peso, evitar o decúbito dorsal ao dormir, medidas de higiene do sono, retirada de medicamentos sedativos e álcool. Doenças otorrinológicas e o refluxo gastroesofágico, quando presentes, devem ser tratados. O tratamento cirúrgico está indicado nas anormalidades anatômicas, podendo corrigir deformidades nasais, hipertrofias de partes moles (como amigdalas, adenóides, palato mole) e malformações dos ossos maxilares. Existem também os dispositivos intra-orais, que são aparelhos usados na cavidade oral durante o sono, com o objetivo de aumentar a passagem do ar nas vias aéreas superiores por uma manobra mecânica, sendo indicados em casos de ronco isolado ou apnéia leve.

Contudo, atualmente o CPAP é a modalidade terapêutica mais difundida, e é o tratamento de escolha para a SAOS moderada à grave. Consiste de um aparelho gera um fluxo aéreo contínuo que, através de um tubo flexível, alcança uma máscara nasal ou nasobucal que é ajustada à face por tiras fixadoras. Quanto mais limitado pela doença (grau de sonolência e prejuízo cognitivo), mais chance tem o paciente de usar adequadamente o CPAP.

Em resumo, o paciente que suspeita de apnéia do sono deve procurar um médico, em geral pneumologista, otorrinolaringologista ou neurologista, que indicará os exames e procedimentos necessários para o correto diagnóstico e tratamento da doença.

* Dr. Marcelo Tuleski é pneumologista em São José dos Pinhais, onde atende na Rua Alcídio Viana, n° 942, no Centro. Contato: 3035 6400.

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