Só metade das vítimas tinha doença prévia 19-Aug-09

Gazeta do Povo | Bruna Maestri | Gripe A


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Capital registrou 30 mortes pela gripe A até o momento. Dessas, 14 não tinham nenhum fator de risco

Curitiba registrou 30 mortes pela gripe A (H1N1), popularmente conhecida como gripe suína, ocorridas do dia 16 de julho a 11 de agosto. Entre as vítimas, 14 não tinham fator de risco, 14 possuíam comorbidades, uma era gestante e outra havia acabado de ganhar bebê. A Secretaria Municipal da Saúde investiga outras 22 mortes por doença respiratória aguda grave e já confirmou três por gripe comum. No total, são 55 mortes confirmadas por gripe ou sob investigação na cidade.

O secretário municipal da Saúde de Curitiba, Luciano Ducci, disse que a morte de pessoas saudáveis é uma situação que chama a atenção não só na capital, mas no Brasil e no mundo. “É um vírus que tem acometido adultos jovens sadios. Isso tem sido motivo de estudo no mundo inteiro”, afirmou o secretário, que esteve ontem na Câmara Municipal explicando a situação da doença.

Ele afirmou que Curitiba está com um quadro estável da nova gripe, com tendência de diminuição. As consultas médicas por síndrome gripal na rede municipal, que chegaram a 1.077 no dia 30 de julho, caíram para 590 na última segunda-feira. Ducci também diz que a maioria das mortes ocorreu no mês passado.

Entre os pacientes que morreram e tinham comorbidades, três sofriam doenças cardíacas, dois estavam com diabete, dois com epilepsia, um era tabagista, um era obeso, um hemofílico, um hipertenso, um com artrite, um com síndrome de Down e um com lúpus. O tempo médio de início dos sintomas até a evolução para o óbito foi de 9 dias.

Ducci disse que está sendo feito um levantamento para mostrar se as pessoas que morreram tomaram o medicamento Tamiflu. Ele afirma que a maioria que ficou internada nos hospitais tomou o medicamento em algum momento do tratamento – mas não necessariamente nas 48 horas iniciais após os sintomas, conforme a recomendação para que o remédio seja mais eficiente.

Pacientes graves e em situação de risco (gestantes, idosos, menores de cinco anos e pacientes com alguma doença prévia) recebem o Tamiflu no início dos sintomas. Segundo o secretário, para os outros casos o médico prescreve o medicamento de acordo com avaliação individual do paciente e o poder público garante o remédio. Ducci afirmou que não é possível concluir que os pacientes teriam sobrevivido se tivessem tomado o Tamiflu.

Segundo o diretor do Centro de Epidemiologia de Curitiba, Moacir Gerolomo, para evitar dar o Tamiflu em todos os casos, o que poderia criar uma possível resistência do vírus, os pacientes com suspeita de gripe estão sendo monitorados através de ligações telefônicas. Os profissionais que trabalham no centro de atendimento telefônico montado pela prefeitura fazem cerca de 290 contatos por dia. Cerca de 80% dos pacientes têm melhora no estado de saúde.

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